A estratégia falhada de Rio e os eleitores que fogem da direita como se fosse lepra

A conversa no programa Circulatura do Quadrado, com Lobo Xavier, Pacheco Pereira e Jorge Coelho, ficou marcada pelo tema das eleições Legislativas.

A um mês das eleições, sondagens e comentadores alinham-se: o PS tem tudo para vencer as eleições e a oposição está longe de mudar esse rumo. Lobo Xavier, Pacheco Pereira e Jorge Coelho reuniram-se, mais uma vez, na Circulatura do Quadrado e analisaram o momento de pré-campanha que se vive em Portugal.

As sondagens mostram um PS a ganhar cada vez mais terreno e um PSD que se afunda a olhos vistos. Os 20,4% de intenções de voto para os sociais-democratas - na mais recente sondagem da Pitagórica para a TSF e para o JN - podem, na opinião de Lobo Xavier, ter várias explicações, mas desde logo fazem recordar os tempos de Sócrates.

O conselheiro de Estado considera que existe uma tendência neste período pré-eleitoral em que os eleitores de PSD e CDS criaram um "movimento de autojustificação" relativamente aos partidos, o que lhe parece "perigoso", por comparação com o "tempo da primeira legislatura de Sócrates".

"As pessoas com simpatias pelos pequenos partidos e pessoas que tendem a justificar-se porque realmente não há mal nenhum ao mundo que o PS ganhe as eleições", algo que "inquieta" o comentador político, nomeadamente porque vê os eleitores a "desviarem-se do PSD e do CDS como se se tratasse de lepra".

O advogado reconhece que "PSD e CDS cometeram alguns erros" e que a "estratégia de Rui não funcionou", referindo-se à tentativa de "se colar ao PS, de purificar a vertente social-democrata e de se mostrar um partido que se entendia facilmente com o PS".

Porém, Lobo Xavier acredita que as decisões sobre professores e motoristas, por exemplo, não estão no centro da situação que o PSD vive. Não devem ser desvalorizadas, mas há mais. O advogado recorda que "o PS de António Costa se apropriou" de uma das bandeiras mais importantes da direita - o equilíbrio orçamental e o controlo das contas públicas - e que PSD e CDS não conseguiram um "antídoto para isso".

O eleitor da direita, "que tem medo de aventuras e esquerdismos que olha para o PSD e para o CDS como as suas casas naturais", reconhecerá que as "aventuras do PS parecem muito diluídas", nomeadamente pela "atuação do próprio Presidente da República", que atenua o "receio" dos cidadãos.

"Não há drama, não há dramatização"

Pacheco Pereira concorda que, neste momento, "não há alternativa no plano económico e social", até porque "a política do PS é a política que o PSD e o CDS fariam". Com este cenário, "a direita fica sem programa e condenada apenas a criticar aspetos secundários porque no essencial está de acordo" com o que tem vindo a ser feito pelos socialistas.

"Não há drama, não há dramatização. Por um lado é muito difícil fazer uma alternativa forte e por outro lado também pode ser difícil ter a maioria absoluta", analisou, explicando que só quando há uma "alternativa política forte" é possível haver "condições de uma fratura profunda".

O antigo dirigente social-democrata acredita que as sondagens e a comunicação social têm sido "hostis ao underdog' [Rui Rio], aos que estão na mó de baixo", que existe uma "matilha" à volta do líder do partido. Contudo, admite, "não é por isso que o PSD vai perder as eleições, mas também é por isso".

"Rio tem mais problemas internos no PSD"

Jorge Coelho tem dúvidas que o PSD só consiga 20% dos votos nas eleições e ficará "bastante admirado" se tal resultado se confirmar, mas concorda que não existe uma alternativa forte e que o PS tem mérito se alcançar um bom resultado.

"O mérito que existe nesta paz que se vive a um mês das eleições é resultado do mérito que houve do trabalho feito. A esmagadora maioria dos compromissos que o PS tinha no país foram cumpridos. Quando isto acontece é complicado haver condições para a oposição, é mortal para que qualquer partido que se candidate", justificou o socialista.

O gestor refere que as pessoas "sabem com o que contam", referindo-se a António Costa, "um primeiro-ministro moderado, que conseguiu criar condições para que o país melhorasse, para resolver todos os problemas complexos que o país teve e tem".

Por outro lado, também critica Rui Rio e a forma como tem feito oposição. "Alguém quer ser alternativa não consegue tomar conta nem dirigir nem liderar o seu próprio partido, como é que vai liderar o país? Rio tem mais problemas internos no partido do que na sociedade", atirou Jorge Coelho.

Apesar da opinião sobre o momento do PSD, o socialista recorda que "ninguém ganha eleições só com aquilo que foi feito no passado, ganha-se eleições com a perspetiva daquilo que vai ser o futuro".

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