"É natural que quem não consiga compreender a autonomia da PJ não consiga perceber a autonomia da DGS"

Augusto Santos Silva respondeu, esta quarta-feira, às críticas do PSD, que acusou o Governo de não ter sabido planear a gestão da pandemia e a DGS de não ter adaptado as restrições às características da Ómicron. O ministro também admitiu que é necessário aguardar alguns dias para compreender que efeitos produzirão estas normas na progressão da pandemia.

Augusto Santos Silva criticou o principal partido da oposição de não saber onde começa e onde termina a ação governativa, no que diz respeito à avaliação do risco epidémico. O PSD tinha acusado o Governo de "falta de planeamento e de gestão" da pandemia e defendeu a revisão das normas da Direção-Geral de Saúde devido ao grau de infecciosidade e à menor gravidade da variante Ómicron.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros respondeu esta quarta-feira, com uma referência ao caso da detenção de João Rendeiro, a qual, segundo Rui Rio, foi influenciada pelo calendário eleitoral.

Augusto Santos Silva esclareceu que o Executivo não tem ingerência na análise de foro científico. "Para o Governo é claro qual é a responsabilidade do poder político e qual é a responsabilidade técnica e científica das autoridades sanitárias. Nós respeitamos essa autonomia."

"É natural que quem não consiga compreender a autonomia da Polícia Judiciária não consiga perceber a autonomia da Direção-Geral da Saúde, mas essa não é a atitude do Governo", atirou o ministro.

O governante garantiu que a situação epidemiológica tem sido monitorizada, como sempre, mas admitiu que é necessário aguardar para fazer uma revisão das restrições tendo em conta o aumento abrupto de casos. "Estamos, neste momento, numa altura em que precisamos de algum tempo para avaliar os efeitos das medidas de contenção aprovadas no Conselho de Ministros de 23 de dezembro, por um lado", apontou Santos Silva. Nesta circunstância, salienta o ministro, o Governo quer sobretudo "apelar a todos os portugueses e as portuguesas para que mantenham a disciplina e a compreensão de que têm dado tantas provas".

O Executivo, pela voz de Augusto Santos Silva, pede assim que as pessoas cumpram as regras, sobretudo na celebração do fim de ano, "para que as medidas de contenção possam produzir efeito e para que possamos ultrapassar esta fase de evolução da pandemia".

Questionado já no final do Conselho de Ministros sobre a adesão das faixas etárias mais baixas à vacinação, Santos Silva disse esperar que o ritmo aumente. "Depois de um primeiro fim de semana em que a adesão das famílias foi bastante razoável, sobretudo tendo em conta as dúvidas que se tinham levantado a propósito da vacinação dos mais novos, o que nós hoje sabemos é que eram completamente infundadas as dúvidas sobre eventuais efeitos negativos que a vacinação pudesse ter sobre os nossos filhos e netos."

Augusto Santos Silva defendeu que a confiança "pode ser muito maior" e "está bem consolidada", já que "a vacina é a nossa melhor arma contra a pandemia, como demonstram os números, designadamente relativos a óbitos e hospitalizações".

"Esperamos que a vacinação dos mais novos progrida", reconheceu o ministro.

Sobre o reforço da linha de saúde SNS 24, o governante sustenta que a Tutela está a tomar as medidas necessárias para que o serviço seja reforçado: "Como a senhora ministra da Saúde já teve oportunidade de esclarecer ontem, estão a ser tomadas medidas para agilizar o funcionamento da linha, para reforçar a linha com novos call centers, e também para reforçar substancialmente o número de profissionais operadores que trabalham na SNS 24."

Lembrando que a progressão da variante Ómicron faz-se "na vertical", pelo que foi registada uma "procura muito grande e repentina" da SNS 24 nos últimos dias, com "sobrecarga" sobre a linha, Augusto Santos Silva aproveitou para agradecer a "enorme compreensão e paciência" das pessoas.

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