É possível inverter o declínio e o abandono do interior. João Ferreira sabe como

João Ferreira participou esta manhã numa sessão com organizações sociais em Portalegre.

O abandono do interior não tem de ser uma realidade inevitável. João Ferreira, numa sessão pública com organizações sociais, esta manhã, em Portalegre, diz que é possível combater o declínio e até mesmo alterá-lo.

O candidato à presidência da República ouviu bombeiros, movimentos ligados aos direitos entre homens e mulheres e também organizações agrícolas, sublinhando que a realidade dos territórios do interior já era dura e que se agravou com a pandemia.

Uma sessão, que trouxe a cena várias realidades. Dos Bombeiros voluntários de Avis, as lacunas no financiamento, na voz de Jorge Borlinhas, que alertou para o facto de não existir uma carreira profissional digna e para o contínuo atraso no pagamento dos serviços público prestados. "Chegamos a estar meses à espera desses pagamentos", diz. O bombeiro referiu ainda a velhice da frota dos BV, dando o exemplo concreto de Avis, que "já não oferecem as condições para prestar o melhor socorro às populações".

Na agricultura, Jorge Manuel, da Confederação Nacional de Agricultores, sublinha que a construção da barragem do Pisão, 60 anos depois da promessa, é boa, mas "é preciso utilizá-la com o objetivo de colocar as pessoas a explorar as terras" e não incentivando as culturas intensivas. "Precisamos de vender os produtos ao pé de nós e não de ter os refeitórios escolares a serem abastecidos com hortícolas vindos de Marrocos", frisa.

A reforçar esta ideia, Inês Fonseca, do Movimento "Chão Nosso", com o exemplo concreto de Benavila, que tem o tecido urbano "todo ele envolvido por estas culturas, com pesticidas e herbicidas a serem implementados todos os dias, levantam questões às populações", sem noção do impacto para o ambiente, nomeadamente nos solos e nas águas.

Do concelho de Sousel veio Margarida Fernandes, a voz do desemprego e da falta de cuidados de saúde. "As extensões de saúde estão encerradas desde o início da pandemia, rede de transportes públicos não existe", alerta.

Os impactos da pandemia caíram em cima de anos de políticas de isolamento e abandono. Expressão do candidato João Ferreira, para quem esta realidade tem marcha atrás. João Ferreira diz que tem sido gerido o declínio do interior, mas alerta que o fundamental é invertê-lo.

Até 2018, Portalegre tinha perdido 17% da sua população e é o distrito do país onde a população no desemprego e na reforma é superior à população ativa. João Ferreira questionou ainda como é possível falar de interior num país que da costa à fronteira com Espanha tem pouco mais de 200 quilómetros.

Em Portalegre, de acordo com o candidato, o desemprego registado é de 10%, o que leva a crer que o real seja superior, acrescentando João Ferreira que, neste distrito alentejano, "muitos lutam para sobreviver".

Para o eurodeputado há também um "enviesamento de partida", pois as causas deste declínio são apontadas como estando no território, o que para João Ferreira não corresponde à verdade. Acrescenta também que o declínio do interior do país está a ser aceite como "inevitável", sendo necessário reverter este abandono e não apenas fazer a sua gestão.

Defendeu ainda melhores políticas de ordenamento do território e a concretização da regionalização para "contrariar o caminho do declínio" e para que haja uma "decisão mais democrática" sobre onde devem ser feitos os investimentos.

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