"Efacec carece de uma resolução do problema acionista"

Pedro Siza Vieira defende nacionalização da empresa para a retoma da atividade.

O ministro da Economia disse esta quinta-feira que é "consensual" junto das partes envolvidas que a Efacec "carece de uma resolução do seu problema acionista", o que justifica a nacionalização de 71,73% do seu capital social.

"É relativamente consensual junto dos bancos que financiam os seus credores, junto da própria empresa, junto dos outros mais acionistas que a empresa carece de uma resolução do seu problema acionista, para poder retomar a sua atividade e poder ser capaz de assegurar a preservação do valor que representa para o país no seu todo", esclareceu o ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, justificando assim a decisão anunciada em conferência de imprensa, depois da reunião do Conselho de Ministros, de nacionalizar 71,73% do capital social da empresa.

"A avaliação que foi feita é que o prolongar desta resolução podia levar a que a empresa pudesse entrar finalmente em dificuldades", acrescentou.

Depois, adiantou o ministro, "o Governo procederá à tentativa de encontrar interessados que possam valorizar [a empresa]".

Pedro Siza Vieira explicou que uma eventual indemnização que seja devida por Isabel dos Santos às autoridades angolanas será paga quando for definido quem é o titular dessa obrigação.

O Conselho de Ministros aprovou hoje o decreto de lei para nacionalizar "71,73% do capital social da Efacec", uma empresa nacional que "constitui uma referência internacional em setores vitais para a economia portuguesa".

Na sexta-feira a Efacec anunciou ter recebido "cerca de uma dezena" de propostas não vinculativas de grupos industriais e fundos de investimento, nacionais e internacionais, para aquisição dos da participação Isabel dos Santos na empresa.

Numa nota enviada à agência Lusa no último dia do prazo para apresentação de propostas para compra da posição da empresária angolana, o Conselho de Administração da Efacec Power Solutions considera que "o conjunto de propostas rececionadas evidencia o valor económico e estratégico reconhecido à Efacec no panorama nacional e internacional, nos setores da energia, mobilidade e ambiente".

Segundo refere, no âmbito da alteração da estrutura acionista do grupo Efacec "foram entregues cerca de uma dezena de propostas não vinculativas (non-binding) à Stormharbour, SL", entidade responsável por assessorar o processo.

"À semelhança das entidades que manifestaram interesse no processo, as propostas não vinculativas foram apresentadas por entidades/investidores com diferentes perfis, nomeadamente grupos industriais e fundos de investimento, quer nacionais, como internacionais", adianta.

A saída da filha do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, do capital da Efacec acontece na sequência do envolvimento do seu nome no caso Luanda Leaks, no qual o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou, em 19 de janeiro passado, mais de 715 mil ficheiros que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.

A empresária angolana entrou no capital da Efacec Power Solutions em 2015, após comprar a sua posição aos grupos portugueses José de Mello e Têxtil Manuel Gonçalves, que continuam ainda a ser acionistas da empresa, com 28% do capital da empresa, enfrentando atualmente o grupo sérias dificuldades de financiamento devido à crise acionista que atravessa.

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