Eleições? Costa "preparado para tudo", mas aposta no PCP para viabilizar Orçamento

O PS compromete-se a viabilizar várias propostas na fase de especialidade do Orçamento, como o aumento do salário mínimo e a gratuitidade das creches.

António Costa garante que não quer eleições, "os portugueses querem estabilidade política", mas assumiu estar "preparado para tudo", caso o Orçamento do Estado seja chumbado e o Presidente da República marque uma nova ida às urnas. Na comissão política do Partido Socialista, o primeiro-ministro apresentou várias propostas, que fazem sorrir, sobretudo, o PCP.

A TSF sabe que na reunião entre socialistas, que decorreu à porta fechada, o primeiro-ministro assumiu não temer eleições, e aos jornalistas acrescentou que está preparado para qualquer cenário.

"Se o senhor Presidente da República entender de uma forma diversa, eu respeitarei a decisão, e estou preparado para tudo. Agora, para já, para já, estou preparado para cumprir o meu dever. E o meu dever é continuar a governar e conduzir o país nestas águas que ainda são bastante turbulentas", afirmou.

O Governo vai propor um aumento do salário mínimo para os 705 euros no próximo ano, uma subida de 40 euros em relação ao valor atual. O primeiro-ministro explicou ainda que o Governo tem a intenção de aumentar o salário mínimo para os 850 euros em 2025.

O salário mínimo vai aumentar 50 euros em cada ano, até aos 850 euros, de acordo com os dados do Governo, num aumento acima do crescimento previsto do PIB. Ou seja, em 2022, o salário será de 705 euros, passará a 750€ em 2023, 800€ (2024), 850€ (2025).

Numa clara aproximação ao PCP, o Governo prevê introduzir a gratuitidade progressiva das creches. Até 2025, todos os anos de escolaridade vão ser gratuitos. Começará já no próximo ano letivo, com o primeiro ano, gratuitidade no segundo ano em 2023/24, e acresce ao terceiro ano em 2024/25.

Também num piscar de olho aos comunistas, o mínimo de existência vai aumentar em 200 euros, beneficiando mais 170 mil portugueses, de acordo com as contas do Governo.

Há ainda um aumento extraordinário das pensões até 1.097 euros a partir de janeiro. O Governo promete também aumentar as verbas para os transportes, no Programa de Apoio à Densificação e Reforço da Oferta de Transporte Público, uma reivindicação dos comunistas.

São medidas, na opinião de António Costa, que mostram disponibilidade negocial do Governo. Por isso, espera "vontade dos parceiros para viabilizar Orçamento".

"Depois do conjunto destas propostas, acho que todos podem dizer tudo, menos que não existe um esforço, sério e concreto do Partido Socialista para responder a medidas concretas que têm sido apresentadas", disse.

Costa garantiu ainda que nenhuma das medidas "será surpresa" para os parceiros de esquerda, e atirou: "Não nos surgiram esta noite tiradas da manga".

António Costa passou em revista, mais uma vez, os resultados eleitorais de 2019, "que reforçaram a votação no PS", mas com uma mensagem dos portugueses "de que queriam a geringonça", para apelar ao bom senso dos parceiros.

O primeiro-ministro assumiu ainda, perante os jornalistas, que na sua opinião a estratégia da geringonça "não está esgotada", apesar das difíceis negociações que marcam o Orçamento do Estado para o próximo ano.

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