Eleições são "a solução mais razoável", diz Augusto Santos Silva

O ministro Augusto Santos Silva vinca que ninguém se pode dizer surpreendido se a Assembleia da República for dissolvida e se o país for a eleições, visto que o aviso já tinha sido feito por Marcelo Rebelo de Sousa. Para o governante, o fator de instabilidade não foi Marcelo Rebelo de Sousa, mas sim os antigos parceiros de geringonça, que deixaram cair um Governo que apresentava "uma solução progressista".

Augusto Santos Silva, em entrevista na Manhã TSF, refere que o fator de divisão de águas e de instabilidade foram o BE e o PCP, não podendo estes culpar o Presidente da República pela crise política instalada. Estes dois partidos são responsáveis pela situação política, "votando ao lado da direita contra o OE mais expansionista", argumenta o ministro.

Para o governante, os antigos parceiros integrantes da geringonça "colocaram nas mãos do Presidente da República uma decisão que este tomará". Esta é mesmo "a solução mais razoável", na perspetiva de Santos Silva, que a considera entendível e critica assim a desresponsabilização do Bloco e dos comunistas. Questionado sobre se Marcelo Rebelo de Sousa provocou instabilidade e se perturbou o processo das negociações do Orçamento antecipando o cenário de eleições em caso de chumbo, o ministro dos Negócios Estrangeiros rejeita: "Não, [Marcelo] explicou bastante bem e com clareza quais seriam as consequências."

Bloco, o PCP e Verdes "provocaram a queda do Governo"

"Parece uma tentativa de dizer 'não fui eu, foi o colega do lado'", alega Santos Silva.

"Todos sabíamos quais eram as consequências de o Orçamento não passar", lembra, referindo que à direita aliaram-se o BE, o PCP e o PEV, e por isso deixaram cair justamente os objetivos que proclamavam. Para Augusto Santos Silva, esta decisão implica uma impossibilidade de os cumprir; não se trata de ir mais devagar. Qualquer avanço nestes domínios dos direitos sociais e dos trabalhadores foi prejudicado.

Augusto Santos Silva garante que foram o Bloco, o PCP e os Verdes que "provocaram a queda do Governo", entregando "de mão beijada" esta vitória à direita. O governante também realça que Rui Rio teve o cuidado de dizer qual seria o OE que apresentaria, mencionando que diminuiria a despesa pública, e que "toda a gente sabe qual a única alternativa possível, que é um Governo liderado pelo PSD". Só o PS e o PSD podem liderar um Governo em Portugal, sustenta. "Ou é liderado pelo Partido Socialista ou é liderado pelo Partido Social-Democrata..."

Voltando a frisar que a discussão dos nove pontos que o Bloco apresentou não dizia respeito a questões orçamentais, Santos Silva sublinha que o partido deixou cair a cultura do diálogo social e da concertação social.

"Precisamos agora de uma maioria do PS mais reforçada e mais duradoura"

Agora, "o Partido Socialista vai pedir as condições para governar". E, se a direita for minoritária no Parlamento, não terá condições para governar. Por isso, "o entendimento com a esquerda continuará a ser necessário". O ministro acredita que o PS sempre manteve uma postura de cooperação e abertura com os partidos à sua esquerda. "Nunca o PCP foi obrigado a deixar de ser contra a NATO."

Para o governante, PS, Bloco, PCP e PEV convergiram para que os rendimentos e os direitos fossem garantidos, o que resultou, por exemplo, em menos pobres e mais estudantes universitários do que em 2015. "Este caminho foi agora interrompido por exclusiva responsabilidade do BE, do PCP e do PEV."

O socialista exorta: "Precisamos agora de uma maioria do PS mais reforçada e mais duradoura. Estamos a sair de uma crise, temos mais fundos europeus do que nunca para aplicar."

Quanto ao rearranjo possível de alianças, Augusto Santos Silva refere que "o PAN começou por ser um partido que não se associou às questões do Orçamento", mas "já é um parceiro do Partido Socialista, que viu a sua posição reforçada", junto do Governo, ao agir "muito responsavelmente" na votação do OE. Mas o ministro não deixa cair a hipótese de que o caminho de alianças com a antiga geringonça possa ser retomado.

"Não tenho dúvidas de que os eleitores vão agir em conformidade"

"A única possibilidade de a direita não governar em Portugal é uma solução política liderada pelo PS", sustenta Santos Silva, que destaca as bandeiras socialistas: "O caminho não se faz contra a UE, nem contra a NATO, contra a concertação social, contra os jovens e os trabalhadores."

Nestas eleições, advoga o ministro, o Bloco e o PCP podem sofrer consequências de terem deixado cair os progressos da esquerda: "Não tenho dúvidas de que os eleitores vão agir em conformidade."

O governante acusa os antigos aliados de terem deixado "cair uma solução progressista", em cooperação com o PS, um "partido que fala para todos os portugueses, não se acantona, não é um partido de gueto, não coloca linhas vermelhas". Santos Silva aponta ainda o dedo a estas forças políticas por acusarem outros "tentando esconder o quão constrangidos estão".

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