Entendimento com o PS? "A nossa disponibilidade e vontade mantêm-se"

A deputada Mariana Mortágua reconhece, no programa Bloco Central, da TSF, que o BE quer ser uma força política no poder e que entendimentos com o PS ainda são possíveis.

Na véspera da convenção do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua assume no Bloco Central, da TSF, que o BE quer ser um partido de poder e que tem disponibilidade para regressar ao diálogo com o PS, mas com metas concretas, como as leis laborais ou a exclusividade para os profissionais de saúde.

A deputada acompanha, nesta XII Convenção Nacional, a primeira moção apresentada aos militantes do BE, subscrita por Catarina Martins, e com o mote "sair da Crise, lutar contra a desigualdade", referindo-se ao Governo e à antiga "Geringonça" logo nos parágrafos iniciais do documento, com o partido a acusar do PS de se ter inclinado para o centro.

Convidada da edição desta sexta-feira do Bloco Central, com Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes, Mariana Mortágua considerou que no último Orçamento do Estado o PS não teve abertura para acolher as propostas do BE, começando por rejeitar algumas críticas. "Quando discutimos um Orçamento... Aquilo que impediu um acordo no Orçamento no último são coisas bem mais concretas."

"Não vale a pena dizer 'não há entendimento porque o Bloco não cede na sua opinião sobre a União Europeia'." Mariana Mortágua volta então a frisar os limites ultrapassados pelo Executivo que impediram o Bloco de Esquerda de ser favorável ao OE: "Não houve um entendimento porque o Partido Socialista não quis a exclusividade dos médicos, não quis alterar a lei laboral e não quis tirar o Novo Banco do Orçamento do Estado, e é bom que isto fique claro, para que todas as partes assumam as suas responsabilidades neste processo."

Quanto ao futuro, as portas não estão fechadas, assegura. "Espero que possa abrir negociações e entendimentos no próximo. A nossa posição mantém-se, e a nossa disponibilidade e vontade mantêm-se."

Mariana Mortágua defende ainda que o Bloco fixou o eleitorado e tem a ambição de ser um partido de poder, mas exclui a possibilidade de uma interferência como a que o CDS-PP exerceu durante a coligação Portugal à Frente. "O Bloco mantém sempre a ambição de ser um partido de poder, e um projeto político de poder. Não é ser um partido de poder 'à la' CDS."

A deputada vai mais longe e concretiza: "Não queremos negociar ministros, queremos negociar um programa político."

Com "a mesma disponibilidade e vontade de avançar", o Bloco mede a probabilidade de um entendimento pela "importância das medidas políticas concretas em si", sustenta a deputada, que esclarece não se tratar esta pretensão de um "desejo vazio de política e de avanços concretos".

Para isso contribui o caminho trilhado pelo BE nos últimos anos, salienta Mariana Mortágua. "O Bloco ganhou representatividade, ganhou espaço na sociedade portuguesa. Hoje representamos muito mais gente do que representávamos há uns anos." Hoje, o partido tem também uma "representatividade geográfica muito maior".

"Somos interlocutores de muitas lutas, e de muitas vitórias e conquistas também", conclui a deputada, na véspera da convenção do seu partido.

* Pode ouvir o Bloco Central na TSF depois das 19h00.

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