Estado da Nação. PCP acusa Governo de não agir perante "agravamento das condições de vida"

Líder parlamentar do PCP defendeu que são necessárias "medidas firmes".

A líder parlamentar do PCP defendeu que a atual situação nacional é "marcada pelo agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo", acusando o Governo de recusar resolver os problemas e favorecer os "interesses dos grupos económicos".

"A situação nacional no nosso país está marcada pelo agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo, pela perda de poder de compra. A taxa de inflação continua a aumentar de forma galopante, (...) os preços de bens essenciais continuam a subir, os salários e as pensões dão para cada vez menos", afirmou Paula Santos em declarações à agência Lusa no âmbito do debate sobre o Estado da Nação, que decorre esta quarta-feira na Assembleia da República.

Perante essa "erosão" dos rendimentos, a líder parlamentar do PCP defendeu que são necessárias "medidas firmes", seja "pela valorização dos salários e das pensões" ou através de "uma intervenção no controlo e fixação de preços", designadamente no que se refere aos "bens alimentares, combustíveis, eletricidade e gás".

"O Governo tem sistematicamente recusado estas propostas. Por isso, aquilo que caracteriza estes primeiros dias de ação por parte do Governo é, por um lado, a recusa da resolução dos problemas que afetam os trabalhadores e o nosso povo e, por outro lado, uma opção política que vai ao encontro daquilo que são os interesses dos grupos económicos", considerou.

Para Paula Santos, "é incompreensível, é inaceitável que, no momento em que os lucros dos grupos económicos - em particular da Galp, da EDP, da grande distribuição - continuam a aumentar, os trabalhadores e o povo tenham cada vez menos".

"Esta é uma realidade que não pode ser aceite e é uma realidade que exige, por parte do Governo, de facto essa intervenção, aspeto que (...) tem tido a recusa por parte do Governo do PS, o que os responsabiliza diretamente por este agravamento das condições de vida", considerou.

A líder parlamentar do PCP criticou ainda a gestão dos "serviços públicos, e em particular do Serviço Nacional de Saúde", reiterando reivindicações de longa data do PCP, como a "implementação do regime de dedicação exclusiva" ou o "alargamento de incentivos para a fixação de profissionais de saúde em zonas carenciadas".

Fazendo um balanço dos primeiros 100 dias de Governo - assinalados a 08 de julho -, a líder parlamentar do PCP sublinhou que, com a maioria absoluta conquistada pelo PS, surgiu uma "circunstância diferente" em comparação com o período da 'geringonça', em que, apesar da resistência dos socialistas, havia um "contexto e uma correlação de forças" que permitiam "avanços num conjunto de medidas".

"O PS tem uma maioria absoluta e está-se a ver, como alertámos desde o início, que isso seria um elemento que iria introduzir menos espaço. Aliás, essa maioria absoluta iria significar que a concretização das soluções que são necessárias iria ficar mais longe, como se está a verificar neste momento", referiu.

Perspetivando as prioridades legislativas do PCP quando o parlamento retomar a atividade, em setembro, Paula Santos frisou que "as questões sobre rendimentos, salários, pensões" vão merecer particular atenção por parte dos deputados comunistas.

A líder parlamentar do PCP referiu ainda que "as questões dos serviços públicos" e do "controlo público de setores estratégicos" da economia portuguesa vão também ser uma prioridade para o PCP, considerando que são "aspetos essenciais" para o desenvolvimento nacional.

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