Estalou o verniz no CDS: do "tom tasqueiro" ao "Calimero" e à "virgem ofendida"

Nuno Melo pediu eleições em igualdade de circunstâncias "porque não são eleições para Associação de Estudantes" e ironiza sobre postura de Rodrigues dos Santos: "Quero crer que CDS ainda não é uma espécie de igreja Maná". Mas foi com João Almeida que o Conselho Nacional ferveu com críticas de parte a parte.

O encontro é online, mas nem por isso menos efusivo. Aliás, já está em ponto de ebulição com Francisco Rodrigues dos Santos a protagonizar uma discussão, no mínimo exaltada, com João Almeida, com direito a apontamentos de "tom tasqueiro" e de "virgem ofendida". Já Nuno Melo reclama igualdade de circunstâncias na contenda pela liderança e diz que partido "ainda não é uma espécie de Igreja Maná".

O eurodeputado que vai agora disputar a liderança fez uma única intervenção porque tinha compromissos enquanto presidente da Assembleia Municipal de Famalicão e começou por sublinhar a possível data do congresso que é coincidente com o do Chega.

Já perceberam que vamos propor um congresso para o mesmo fim de semana em que se realiza o do Chega? Têm noção do que isso representa? Nós, CDS, que temos de afirmar a nossa marca, vamos partilhar o palco em congresso com o Chega do qual nos temos necessariamente de distinguir? Se isto não é não ter noção de nada então não sei...", aponta Nuno Melo considerando que "um congresso devia ser um exclusivo de um partido no momento em que vai decorrer".

Realçando o "absurdo" da situação, Nuno Melo ainda volta ao tema para sublinhar que não se tratam de "eleições para uma Associação de Estudantes".

"Nós estamos a falar de um congresso de um partido, não estamos a falar de umas eleições para uma Associação de Estudantes. O CDS sempre foi um partido profundamente democrático, independentemente de todas as disputas, sempre garantiu igualdade de armas. Isso significa ter as mesmas possibilidades que Rodrigues dos Santos teve quando foi candidato à presidência do CDS, equivale a dizer dar a volta ao país", disse Nuno Melo num relato feito à TSF por conselheiros nacionais do partido.

"Quando se marca a mata-cavalos um congresso para os mesmos dias do que o congresso do Chega percebe-se que realmente o que está em causa já não é o país é só mesmo ganhar o congresso", notou o eurodeputado que diz militar "num partido em que não vale tudo".

Na única intervenção que fez antes de abandonar a reunião, Melo sugeriu ainda que o atual líder utiliza as redes do partido para fazer campanha pessoal e apontou às declarações de Rodrigues dos Santos que, de manhã, disse que ninguém nas condições dele teria feito um melhor trabalho.

"Quero crer que o CDS ainda não foi transformado numa espécie de Igreja Maná em que o grande líder é omnisciente, omnipresente e clarividente acima de todos os outros, acredito que haverá sempre alguém capaz em todas as circunstâncias de fazer melhor do que nós", ironizou Melo.

Termómetro sobe com João Almeida

Se Nuno Melo entrou ao ataque, João Almeida não ficou atrás, bem pelo contrário. Aliás, de acordo com os relatos feitos à TSF, foi até agora o momento mais quente desta já longa reunião.

O ex-candidato à liderança do partido vincou as críticas de que o partido teve "menos votos e menos autarcas do que há quatro anos" e acabou por reconhecer que o resultado de há quatro anos "não foi bom e agora foi pior". "Eu prefiro olhar para a realidade e vê-la tal como ela é. Se querem ver a realidade como ela não é, acho que não vamos pelo bom caminho", vincou o deputado centrista.

Partindo daí, vai para uma crítica cerrada ao atual líder dizendo que em campanha eleitoral nem "um telefonema ou SMS" do presidente do partido, do coordenador autárquico ou do secretário-geral. "Isso é lamentável", notou João Almeida que também considerou que se ele tivesse vencido as internas teria feito um trabalho "muito melhor do que Francisco Rodrigues dos Santos".

Ora, isto foi lenha para a fogueira de Francisco Rodrigues dos Santos que num tom mais acesso acusou Almeida de se fazer de "Calimero" e de "virgem ofendida", notando que ele nunca quis o presidente do partido a fazer campanha com ele em São João da Madeira. De resto, Rodrigues dos Santos diz que apenas foi a São João da Madeira nas jornadas parlamentares do partido que serviram de "primeiro comício de Nuno Melo" e aponta a João Almeida que o "aplaudia alegremente enquanto destruía a direção do partido".

Além disso, Rodrigues dos Santos vincou que ainda este domingo decorrem eleições questionando João Almeida sobre como é possível ele poder ser tão categórico na afirmação sobre os mandatos conquistados pelo partido.

Nesta troca de argumentos, João Almeida acabou por refutar as críticas do atual líder e acusou-o mesmo de usar um "tom tasqueiro", não lhe dando resposta nesse mesmo tom. "Só frequento tascas em campanha eleitoral", nota dizendo que já é recorrente o presidente do partido "fazer este tipo de intervenções".

"A nossa diferença não é só no tom e na educação, é também na maneira como enfrentamos a realidade. Eu já perdi muitas vezes, desde logo no congresso, e assumi essa derrota; tu nunca perdeste e as pessoas julgarão isso no futuro", concluiu João Almeida.

Na reunião que se espera bastante longa, João Gonçalves Pereira, líder distrital de Lisboa, que também entrou em rutura com a direção sobretudo pela lista autárquica na capital sublinhou que "o partido não começou com Chicão, mas Chicão pode acabar com o CDS".

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