Eutanásia. Direção do PSD diz que Rio e Adão Silva estão a ser alvo de "processo político"

Para a direção restrita do PSD, a abertura de um processo disciplinar a Rio e Adão Silva "consagra um precedente tão grave quanto ridículo e irresponsável, para o futuro do Partido Social Democrata".

A Comissão Permanente do PSD acusou o presidente da Jurisdição de promover um "processo político" com a matéria da eutanásia, admitindo recorrer a "todos os meios" jurídicos e políticos para "proteger o bom nome do partido".

"Este é um processo político e não jurisdicional. Que constituí uma perseguição primária aos principais representantes políticos do nosso partido, sem paralelo na história do PSD", acusa a Comissão Permanente do PSD, numa resposta a que a Lusa teve acesso às notas de culpa enviadas pelo Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) ao presidente do partido, Rui Rio, e líder parlamentar, Adão Silva.

Para a direção restrita do PSD, a abertura de um processo disciplinar a Rio e Adão Silva "consagra um precedente tão grave quanto ridículo e irresponsável, para o futuro do Partido Social Democrata, sendo absolutamente intolerável e inadmissível"

"A confirmar-se a juridicamente fantasiosa e politicamente ridícula iniciativa, a Comissão Permanente Nacional do PSD ver-se-á na necessidade de recorrer a todos os meios ao seu alcance, tanto jurídicos como políticos, para proteger o bom nome do PSD, e salvaguardar a elevação e respeitabilidade dos órgãos nacionais do partido", apontam, na resposta enviada na terça-feira ao órgão jurisdicional do partido.

A resposta da Comissão Permanente visa, em várias passagens, o presidente do CJN, Paulo Colaço, que foi o instrutor do processo, dizendo ser "por demais evidente" que "persegue objetivos políticos e pessoais, com prejuízo dos superiores interesses do PSD".

"Uma postura que visa favorecer os nossos adversários políticos, contribuindo para a manutenção de um clima interno que objetivamente prejudica a afirmação do PSD e da alternativa que tem vindo a consolidar. Assentando tal postura em ridículos factos ficcionais, em direitos esotéricos e em jurisprudências inexistentes", criticam.

O Conselho Nacional de Jurisdição do PSD considerou que existe "matéria bastante para abertura de processo disciplinar" ao presidente do partido e ao líder parlamentar por violação de uma decisão do Congresso sobre eutanásia, faltando decidir as sanções.

Em causa está uma participação (a segunda sobre a mesma matéria) enviada a este órgão, considerado o 'tribunal' do partido, pelo militante de Braga Leonel Fernandes, dirigida contra Rui Rio e Adão Silva e datada de 23 de outubro do ano passado, o dia em que foi votada em plenário uma iniciativa de cidadãos a pedir a realização de um referendo sobre a despenalização da morte assistida.

Nessa votação, a direção do partido decidiu dar liberdade de voto aos deputados, o que, segundo o queixoso, violaria a deliberação do Congresso do PSD que aprovou uma moção temática em que se insta a direção do partido e do grupo parlamentar a desenvolver todas as diligências "para que venha a ter lugar um referendo nacional em que seja perguntado aos portugueses pelo seu acordo ou desacordo com os projetos de lei sobre eutanásia".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de