Familygate: um PS "dono disto tudo" e um PSD com "banho de ética à medida do freguês"

Costa e Rio acusaram-se mutuamente quando o caso dos familiares no Governo ou nomeados esteve em debate. O líder do PSD acusa o PS de se considerar o "dono do Estado", mas Costa garante que os sociais-democratas têm telhados de vidro.

Costa e Rio acusaram-se mutuamente quando o caso dos familiares no Governo ou nomeados esteve em debate. O líder do PSD acusa o PS de se considerar o "dono do Estado", mas Costa garante que os sociais-democratas têm telhados de vidro.

O familygate fez aumentar o tom do frente a frente entre António Costa e Rui Rio. Desde as acusações de que o PS quer ser "dono disto tudo" aos banhos de ética, passando pelos telhados de vidro que já deixaram, até, entrar água.

O tema foi colocado em cima da mesa, com uma pergunta sobre se o familygate vem substituir o 'jobs for the boys' no PS, mas Rio recusou-se a comentar casos em particular. Contudo, não o fez certamente para proteger Costa, muito pelo contrário, até porque as farpas vieram logo de seguida.

"Nenhum partido é virgem nisto", diz, referindo-se à nomeação de pessoas para cargos para os quais não têm competência, mas o PS "normalmente exagera". "O PS, desde sempre, historicamente, olha para o Estado como uma espécie de dono disto tudo. O PSD nunca fez como o PS faz que chega ao Governo, instala-se e considera-se dono do Estado", acusa o social-democrata.

Costa está contra. É uma "acusação infundada", diz, tanto no passado como no presente do Partido Socialista. O primeiro-ministro considera que a "a conversa do familygate assenta numa enorme confusão" e aponta o dedo a Rio e ao PSD.

"Há uma coisa que não há no PS: proclamações de banho de ética que depois é à medida do freguês. Rui Rio disse que vinha fazer banho de ética e depois viemos a saber que o compromisso de honra é à medida do freguês", aponta o líder socialista.

Era a vez de Rio, que não desmente: "Claro que o PSD tem telhados de vidro. Alguém pensa que em 12 ou 24 meses se consegue fazer uma revolução no partido com todos os tiques que os partidos têm?", questiona, dizendo que "a questão da ética é muito importante".

Porém, o presidente do PSD garante que "nunca disse que ia dar lições de ética". "Eu disse que ia praticar a ética e isso é salvaguardar e respeitar o princípio da inocência. Antes de uma pessoa estar condenada é inocente", diz, defendendo que esse é o princípio ético que defende. "Se é arguido vai para a rua? Ser arguido não é ser acusado de nada, a pessoa é presumivelmente inocente", acrescenta.

Não foi preciso muito para ver um contra-ataque do primeiro-ministro, em forma de farpa a Rui Rio: "As pedras que atirou aos telhados do PS afinal caíram noutros telhados de vidro."

Rui Rio respondeu, entre sorrisos: "Essa conclusão..." E acrescentou: "No PS está a chover lá em casa porque os telhados de vidro partiram, está a entrar água."

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