Financial Times aponta Portugal como exemplo para a Europa e elogia António Costa

São feitos elogios a um "hábil" António Costa, que liderou uma "geringonça" olhada com desconfiança em 2015 mas que, ao contrário de Itália, permanece "estável e funcional".

O exemplo português é uma esperança para a Europa, diz o diário económico internacional Financial Times . Num editorial publicado este domingo, o jornal elogia o primeiro-ministro português e destaca as habilidades e as escolhas políticas de António Costa.

Portugal é descrito neste editorial como uma espécie de ilha ladeada por tormentas várias. Desde os engasgos do motor do crescimento europeu - a economia alemã - à instabilidade política e também económica de Itália, passando pelo Brexit que pode pôr em causa, por muitos anos, o relacionamento do Reino Unido com a União Europeia.

É no meio deste mar revolto que surge um Portugal brilhante com indicadores de fazer inveja. Salários em níveis pré-crise, um défice próximo do zero, uma taxa de desemprego de 6,7% que contrasta com os 14% de Espanha. Para além dos indicadores económicos é também salientada a baixa taxa de criminalidade e uma atmosfera acolhedora.

Um sinal de esperança emanado do extremo ocidental da Europa que resulta tanto de "escolhas políticas acertadas" como de uma "boa dose de sorte". São feitos elogios a um "hábil" António Costa que liderou uma geringonça olhada com desconfiança em 2015 mas que, ao contrário de Itália, permanece "estável e funcional".

É claro que para os resultados obtidos contribuiu também, em boa parte, a recuperação económica mundial e um "boom" do turismo. O governo anterior não é esquecido. Foi o executivo liderado por Pedro Passos Coelho que teve de levar por diante um "trabalho difícil" a troco de um resgate de 78 mil milhões de euros.

Mas nem tudo são rosas. o Editorial do Financial Times elenca alguns dos problemas com que o país ainda se confronta: desde a reposição do tempo de serviço congelado dos funcionários públicos, à luta dos motoristas, a uma dívida pública superior a 100% do PIB. Ainda assim, apesar destes desafios, António Costa tem mais motivos para sorrir do que outros líderes europeus.

É também por isso que o jornal especializado em assuntos económicos perspetiva a vitória do atual primeiro-ministro nas próximas eleições e dá-lhe alguns conselhos: deve avançar com a reforma da administração pública e do setor bancário e continuar o caminho da "prudência orçamental" mas sem a "austeridade punitiva".

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