CDS critica Marcelo. "Unanimismo pandémico não é bom para o país"

Críticas ao Presidente e ao PSD "por se chegar ao PS", a provável "não concordância" do CDS face ao OE2021 e a "transparência" no caso do apoio a Luís Filipe Vieira. Telmo Correia explica.

Apesar de ter sido "eleitor" do atual Presidente da República, o líder parlamentar do CDS critica a posição de Marcelo Rebelo de Sousa ao instar as restantes forças políticas a um entendimento em torno do Orçamento.

"Essa tese do unanimismo pandémico não é boa para o país", sublinha Telmo Correia que deixa ainda uma farpa ao Presidente por este ter invocado o seu próprio exemplo ao viabilizar dois Orçamentos dos governos de António Guterres: "Não foi uma liderança bem sucedida, não me lembro de ter ido a votos na qualidade de líder do PSD", ironiza.

Telmo Correia também questiona se será bom concordar com um líder só porque o mundo está perante uma pandemia. "No limite", é uma suspensão da democracia e a democracia é feita de escrutínio, logo, em momentos mais difíceis tem de haver um escrutínio "ainda mais exigente", remata. Apesar de considerar que o valor da estabilidade política é "desejável", o centrista preconiza que "não vale a pena dramatizar para dizer que temos de estar de acordo em todas as circunstâncias".

O Primeiro-Ministro "não sabe sair do buraco em que se meteu"

Telmo Correia, líder parlamentar do CDS-PP, considera que "o primeiro-ministro escolheu, de alguma forma, o seu caminho" e que agora "não sabe sair do buraco em que se meteu", já que estabeleceu, na anterior legislatura, uma solução inédita, duplamente inédita: o PS coligou-se com partidos que até então não pertenciam ao arco da governação, porque "eram contra a Europa, por exemplo", mas também ao assumir a chefia do Governo apesar de não ter sido o partido mais votado.

O deputado defende que Costa terá de assumir assim o caderno de encargos do PCP e do Bloco de Esquerda, que estão preocupados "com a sua base de apoio e a sua base eleitoral", e que agora tratarão de fazer exigências como o aumento "descontrolado" da despesa pública e do salário mínimo de forma "desenfreada".

Orçamento não deverá ter voto positivo dos centristas

"O país precisa de saber, não como aprovar o OE, mas como estará daqui a quatro anos", alerta o centrista. Telmo Correia garante que o CDS-PP não irá rejeitar o OE2021 gratuitamente, mas admite: "À partida, é um orçamento que não nos merecerá concordância".

Para Telmo Correia, o PSD tem vindo a tentar aproximar-se aos socialistas, como aconteceu, exemplifica, aquando da aprovação do fim dos debates quinzenais. "Parece um daqueles romances mal sucedidos", com sucessivas "investidas" do PSD e consequentes afastamentos do PS, atira o deputado.

Francisco Rodrigues dos Santos teve arranque "difícil"

Dadas as atuais circunstâncias e face a uma pandemia que atirou o país para um confinamento, os tempos que o CDS vive hoje são "difíceis", reconhece o líder parlamentar, que não se esquece de lembrar que o partido ainda "é importante, útil e relevante", para enfrentar uma "esquerda muito reivindicativa" que "aprisionou o primeiro-ministro", que "não é dessa esquerda", mas de uma esquerda mais moderada e "pró-Europa", e o Partido Social-Democrata que "parece querer virar-se" para o socialismo.

Quanto à extrema-direita, Telmo Correia não deslinda interesse "construtivo": sabe-se que tem "efeito mediático relevante, não sabemos se tem relevância eleitoral".

Telmo Correia admite que o CDS viveu um "um processo complicado" mas considera que Francisco Rodrigues dos Santos é um presidente que "tem toda a legitimidade". Para o líder parlamentar centrista, o arranque não foi fácil, já que um mês depois de ser eleito, o país foi atirado para o confinamento e Francisco Rodrigues dos Santos tem estado a fazer o seu caminho "fora do Parlamento", explica Telmo Correia.

Eutanásia e Benfica

Ou concordamos com a ideia da eutanásia ou não concordamos com a ideia da eutanásia, defende Telmo Correia, entrevistado na TSF. Para o centrista, a eutanásia é um assunto referendável, visto que "a eutanásia proposta não é apenas para pessoas muito mais velhas cuja doença não tem cura", mas também para pessoas jovens, que podem encontrar cura daqui a algum tempo, dada a constante evolução da medicina. O CDS será favorável ao referendo, garante.

Questionado sobre a polémica da inclusão na comissão de honra de Luís Filipe Vieira, Telmo Correia separa águas com a posição do Primeiro-Ministro e do autarca de Lisboa: "Se eu tivesse funções executivas, teria uma postura de neutralidade." Perante as críticas de Francisco Rodrigues dos Santos de que "Normalizar isto é dar oxigénio à fogueira que vai queimando a confiança no Estado de Direito Democrático", o líder parlamentar do CDS responde que "esta crítica foi dirigida ao primeiro-ministro".

Apesar de ser um benfiquista assumido e de até ter sido fotografado pelo semanário Expresso na bancada do estádio da Luz, Telmo Correia garante que as considerações de Francisco Rodrigues dos Santos eram dirigidas "ao senhor primeiro-ministro e ao presidente da Câmara" de Lisboa. Telmo Correia acredita que, na sua posição, assumir a simpatia clubística é apenas uma postura "de transparência", já que não se encontra no Governo, mas dá por "encerrado" o episódio que envolveu Costa e Medina em torno das eleições dos encarnados.

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