Fraude política, culpa e até D. Afonso Henriques. Está concluída a comissão ao Novo Banco

Dez meses após a constituição da comissão de inquérito ao Novo Banco, o relatório deixou, na prática, tudo na mesma.

Sete anos depois da resolução do BES, os deputados ainda discutem quem afinal fica com as culpas: o Governo de Passos Coelho ou o de António Costa. A Comissão de Inquérito ao Novo Banco terminou oficialmente esta sexta-feira, com a apreciação do relatório na Assembleia da República.

O relatório da comissão de inquérito não trouxe consensos, foi aprovado em junho com o voto contra do PS e a abstenção do CDS, e sem a assinatura do relator, o socialista Fernando Anastácio, que renunciou por não se rever no documento.

Esta sexta-feira, no debate em plenário, o deputado do PSD Hugo Carneiro afastou as suspeitas de fraude política, pelo menos do Governo PSD - CDS, que viveu em 2014 "um contexto de urgência, perante factos que eram desconhecidos".

"As autoridades públicas tiveram apenas três dias para impedir a liquidação. Já na venda, em 2017, o Governo de António Costa e Mário Centeno teve, pelo menos, largos meses ou anos para encontrar uma solução", disse.

O social-democrata Duarte Pacheco acrescentou que os socialistas querem culpar todos, "para salvar o querido Mário Centeno", chamando até Dom Afonso Henriques à discussão: "Não sei porquê não responsabilizam também Afonso Henriques por criar Portugal".

"É um atestado de incompetência do Governo em funções", atirou Duarte Pacheco.

Já o PS, pelo deputado João Paulo Correia, alinha o Bloco de Esquerda (BE) à direita, e afirma que o relatório foi utilizado para um ajuste de contas com o Governo de António Costa.

"Um taticismo partidário que alia o BE à direita. A linha factual das conclusões foi abandonada. Foram aprovadas conclusões sem ligação aos factos apurados. Algumas dessas conclusões são falsas", garantiu.

O PCP, pela voz do deputado Duarte Alves, lembra que os portugueses continuam sem saber a identidade dos principais investidores do Novo Banco, nem mesmo o que é o fundo Lone Star, que comprou o banco.

"Perante esta opacidade, temos que tirar conclusões políticas e não judiciais, por muito que custe a António Ramalho. Não tenhamos medos das palavras: houve decisões ruinosas e fraude política. Há responsáveis e o relatório aponta-os, daí o incomodo causado ao PS, PSD e CDS", afirmou o comunista.

Rutura e elites que "se sentem bem" no Chega

Já a deputada do CDS Cecília Meireles defende que tudo começou com José Sócrates, e o Governo de Passos Coelho primou pela rutura, "com um momento de viragem com um Executivo que diz não".

"O Governo disse que não ia utilizar o dinheiro dos portugueses para salvar o BES e os empresários do costume. É uma rutura política de que tenho orgulho, não uma fraude", justifica.

E Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, diz que parte dos devedores do Novo Banco até financiam partidos com assento parlamentar na Assembleia da República.

"Estes devedores representam uma elite económica que se sente bem nas hostes do Chega, e que até ajuda a financiar o partido. Representa uma elite económica que a Iniciativa Liberal se esforça em defender", disparou.

Ficou concluída, oficialmente, a comissão de inquérito ao Novo Banco, com um relatório que na prática deixou tudo na mesma, sem conclusões e com um Novo Banco que já levou do Estado mais de mil milhões de euros.

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