Governo admite que ainda há problemas para formar mesas de voto em 15 concelhos

Nas Presidenciais de domingo, haverá 12 mil mesas de voto onde estarão, nos cálculos da administração eleitoral, 65 mil pessoas, mas ainda há concelhos com dificuldades em garantir mesas de voto.

O Governo admitiu esta sexta-feira, a dois dias das Presidenciais, que ainda há dificuldades a formar mesas de voto em 15 concelhos, efeito da pandemia de Covid-19, mas garantiu que todas irão funcionar no domingo.

Em declarações à TSF, o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, confirmou as dificuldades na formação das mesas de voto em 15 municípios, que não identificou, seja devido a testes positivos ou seja devido ao confinamento profilático.

O Ministério da Administração Interna está a trabalhar para tentar resolver o problema, recorrendo à "bolsa de eleitores", e Antero Luís afirmou que no domingo "não haverá mesas de voto que não abram por falta" de pessoas.

"Penso que as coisas estão afinadas. Tem havido um trabalho permanente com as câmaras, foram tomadas todas as medidas ao nível da segurança que se impunham, com a distribuição das 120 toneladas de material para serem colocadas e utilizadas durante as eleições."

Antero Luís diz que no domingo estarão "reunidas as condições para votar e votar em segurança".

"Na semana passada, no anterior domingo, no voto antecipado em mobilidade, de facto houve situações menos positivas, com algumas filas que aconteceram nos locais de maior concentração de pessoas, mas, nessas eleições, estávamos a falar de 675 mesas de voto em todo o país", admite o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna. Agora, no entanto, são 13 mil mesas de voto, "uma realidade completamente diferente", de acordo com Antero Luís."Penso que não haverá qualquer problema de afluência, como aconteceu com o boto antecipado em mobilidade."

O reforço que será feito traduz-se num aumento das mesas de voto, como exemplifica Antero Luís: quatro sítios na cidade universitária passam para centenas de mesas de voto.

Na terça-feira, a Lusa noticiou que várias câmaras, como a de Lisboa, tiveram dificuldades em formar as mesas de voto para as presidenciais de domingo, devido ao receio da pandemia de Covid-19.

Responsáveis de partidos que geralmente acompanham esta operação disseram à Lusa que uma das dificuldades se prende com o receio da pandemia de Covid-19, pelo potencial risco de exposição durante horas - das 07h00 até às 20h00 ou 21h00, quando é encerrado o processo de contagem de votos, conforme a dimensão das mesas.

Esse fator levou à desistência de pessoas que já tinham sido indicadas, seja por pertencerem a grupos de risco de Covid-19 seja por terem mais de 65 anos, acrescentaram.

Nos últimos dois dias, várias câmaras municipais, de norte a sul, anunciaram que iriam fazer testes Covid-19 aos membros das mesas.

Só em Mafra, segundo disse à TSF o presidente da Câmara, Helder Silva, houve pedidos de "mais de 100 pessoas" para não estarem nas mesas, seja por terem testado positivo ao coronavírus ou por estarem em confinamento profilático ou ainda por receio da Covid-19.

O problema com a falta de pessoas, que já existiu noutras eleições no passado, foi agravado nas presidenciais de domingo pelo facto de terem sido desdobradas as mesas de voto devido à situação de epidemia que o país vive, sendo, por isso, necessário mais membros.

Depois de ter denunciado a falta de meios técnicos e humanos, no mês passado, a Comissão Nacional de Eleições admite que a situação já melhorou. O gabinete jurídico é agora composto por três pessoas, mas continuam a ser poucos para o trabalho que têm de fazer.

As mudanças na forma de votar nestas Presidenciais levantaram muitas dúvidas que tiveram de ser atendidas, como explica à TSF João Tiago Machado, porta-voz da CNE.

A multiplicação do número de mesas de voto é uma forma de evitar e controlar grandes concentrações de pessoas e, assim, tentar reduzir o risco de contágio.

Nas Presidenciais de domingo, haverá 12 mil mesas de voto onde estarão, nos cálculos da administração eleitoral, cerca de 65 mil pessoas.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de Covid-19 em Portugal, estão marcadas para domingo e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral termina hoje. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

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