Governo "alheio" à repetição das eleições, estima que metade dos eleitores não repita votação na Europa

Van Dunem admite que metade dos eleitores não volte a repetir a ida às urnas, já que "se sentem defraudados".

A ministra da Administração Interna garante que o Governo e a comissão eleitoral "é alheia" ao que levou o Tribunal Constitucional a mandar repetir as eleições legislativas no círculo da Europa. Francisca Van Dunem estima que, desta vez, metade dos eleitores não repita a votação.

A Assembleia da República (AR) debate esta quarta-feira a repetição das eleições, num debate requerido pelo PSD em fevereiro, mas que a conferência de líderes decidiu atrasar um mês para não interferir com a votação de 13 de março.

Logo no início do debate, Francisca Van Dunem garantiu que "o Governo e a administração eleitoral são de todo alheios aos factos que levaram à anulação do TC".

"Nem sempre tudo o que fazemos corre bem. Ao agir, acertamos, erramos. O importante é que sejamos capazes de reparar o erro e de melhorar a margem de acerto", acrescentou a ministra.

Quase dois meses depois das eleições legislativas, que decorreram a 30 de janeiro, Francisca Van Dunem admite que metade dos eleitores não volte a repetir a ida às urnas, já que "se sentem defraudados".

"Por comparação com o período idêntico do primeiro período de votação, há menos 43% de pessoas a votar do que no período correspondente anterior. Nas projeções que fazemos provavelmente andará pelos 50 por cento.. Vai haver, seguramente, bastante muito menos pessoas a votar no círculo da Europa", admitiu.

Os votos por carta recebidos até 23 de março ainda contam para a eleição, com os resultados a serem divulgados a 25 de março, de acordo com o calendário da Comissão Nacional de Eleições.

Apesar de o PSD afirmar que "milhares de cidadãos não receberam a correspondência", a ministra garante que "entre 72 e 99 por cento dos eleitores" recebeu os boletins, "uma percentagem muito elevada de pessoas".

O debate aqueceu com o confronto entre PS e PSD, com o socialista Pedro Delgado Alves a acusar os social democratas de "ziguezagues" por à última hora tentarem retirar os protestos, para impedir o imbróglio.

"O PS não podia retirar as reclamações porque não as tinha apresentado. O PSD nessa mesma noite, diga ou não se é verdade, tentou recuar e deixar de fora da agenda os protestos que tinha apresentado", atirou o socialista.

Na resposta, o deputado do PSD José Silvano garantiu "em termos de PSD, isso não é verdade".

A ministra da Administração Interna terminou o debate a apelar aos "partidos e coligações" para que sejam responsáveis, "e encontrem soluções" para terminar com o impasse político, que deixa o novo Governo e a Assembleia da República em suspenso.

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