"Governo deixou estudantes à mercê do mercado." BE quer ouvir ministra no Parlamento sobre alojamento estudantil

O Bloco de Esquerda acusa o Governo de deixar os alunos do ensino superior abandonados no que toca ao alojamento.

Nas declarações políticas na abertura da sessão plenária, esta quarta-feira, no Parlamento, a deputada Joana Mortágua criticou o Governo por festejar o elevado número de estudantes colocados, este ano, na 1.ª fase concurso de acesso ao ensino superior, mas, depois, não garantir que esses alunos têm alojamento.

O Bloco de Esquerda considera que, para quem quer seguir o ensino superior, entrar na universidade é "o mais fácil" e que o pior vem depois. "Não me refiro aos desafios académicos, nem aos exames difíceis, nem às noites viradas nos livros. Refiro-me às razões que levam mais de 10% dos alunos do ensino superior a desistir da licenciatura logo no primeiro ano", disse Joana Mortágua.

A deputada sublinhou o peso da educação universitária no orçamento das famílias portuguesas - que, afirma, não acompanha o do resto da Europa - e a falta de alojamento para os mais de 20 mil alunos deslocados.

"No início deste ano letivo, havia menos 80% da oferta de alojamento no mercado de arrendamento e os preços das casas, dos quartos, estavam 10% mais caros", notou Joana Mortágua, que responsabiliza o Governo.

"Quando a Associação Lisbonense de Proprietários anuncia a decisão concertada de não colocar as suas casas no mercado de arrendamento, nós somos obrigados a perguntar porquê", continuou Joana Mortágua, acrescentando que a resposta é "porque pode".

"Porque o Governo deixou os estudantes à mercê do mercado de arrendamento inflacionado e especulado. Porque viu esse problema agravar-se nos últimos anos e pouco ou nada fez. Porque não criou serviço público", criticou.

"Numa coisa, os Liberais têm razão: o mercado é assim. Não reconhece direitos nem ajuda ninguém. Esse é o papel do Estado e é por isso que o Estado tem de ser forte", atirou.

O Bloco de Esquerda considera que, "enquanto uns protegem os lucros, outros perdem o direito à Educação" e, por isso, quer ouvir no Parlamento a Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre as medidas que pretende tomar para proteger os estudantes.

O requerimento para a audição de Elvira Fortunato deu entrada, esta quarta-feira, na Assembleia da República.

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