Governo mantém todas as escolas abertas

Está desfeita a incógnita: o encerramento dos estabelecimentos de ensino não faz parte das medidas do próximo confinamento.

O Governo vai manter todas as escolas abertas no próximo confinamento. Esta era a maior incógnita entre as novas regras, mas a decisão ficou tomada no Conselho de Ministros desta quarta-feira.

António Costa reconheceu, na conferência de imprensa onde apresentou as medidas ao país, que este é um tema que divide a sociedade e especialistas mas garante que, depois de "avaliadas bem as consequências" da interrupção letiva do ano passado, "não podemos voltar a repetir este ano a mesma regra".

A Confederação Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) alertou esta quarta-feira que nem todos os pais querem que as escolas permaneçam abertas, apoiando-se num inquérito que revela que quase metade defende o ensino à distância.

"Os pais estão divididos quanto às medidas que devem ser aplicadas às escolas durante o confinamento", contou o presidente da CNIPE, Rui Martins.

A informação baseia-se no inquérito online realizado pela CNIPE ao qual responderam mais de cinco mil pessoas (5022).

Há também quem entenda que a melhor solução era um regime misto: duas semanas de aulas em regime presencial e duas semanas à distância foi a opção escolhida por 8% dos inquiridos.

Na terça-feira, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, defendeu que os estabelecimentos de ensino deveriam permanecer abertos, sublinhando a importância do ensino presencial para os alunos, em especial os mais carenciados.

O inquérito da CNIPE também quis saber a opinião dos pais sobre o funcionamento das cantinas durante o confinamento: mais de 80% das pessoas defenderam que mesmo com as escolas fechadas as cantinas deveriam permanecer abertas para garantir as refeições dos alunos em regime take way.

Dirigentes escolares querem regime misto. "Há todas as condições para os alunos se manterem na escola"

A Associação Nacional de Dirigentes Escolares defende uma solução mista entre o ensino presencial e à distância. Para Manuel Pereira, representante da associação, "há todas as condições para os alunos se manterem na escola, nomeadamente os alunos do pré-escolar, primeiro ciclo e segundo ciclo".

Uma abordagem híbrida prende-se, justifica Manuel Pereira, "por todas as razões e até pela necessidade que os encarregados de educação têm de ter os seus filhos na escola".

Do lado dos privados, Rodrigo Queiroz e Melo, diretor executivo da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo, é da opinião de que as escolas devem permanecer abertas.

"Aquilo a que temos assistido no ensino privado e público é a segurança que podemos ter quanto às escolas não serem focos de contágio elevado e, por isso, balanceando a necessidade de combater a pandemia com o bem-estar dos alunos ao serem outra vez confinados em casa, parece-nos claramente que a opção deve ser a de manter o ensino presencial", explicou à TSF Rodrigo Queiroz e Melo.

Estas novas medidas, ao abrigo do projeto de decreto presidencial de estado de emergência, deverão estar em vigor por um mês, para travar a pandemia de Covid-19 em Portugal.

A reunião do Conselho de Ministros teve lugar após a Assembleia da República aprovar, esta manhã, o projeto de decreto presidencial que modifica e renova o estado de emergência no país, tendo efeitos já a partir desta quinta-feira e até 30 de janeiro.

Na terça-feira, no final de mais uma reunião com epidemiologistas no Infarmed, em Lisboa, o primeiro-ministro classificou como "alarmante" a dinâmica de "fortíssimo crescimento" dos novos casos de infeção com o coronavírus, que atingiram os dez mil por dia no início desta semana.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de