"A melhor maneira de defender a economia é sendo implacável no combate à corrupção"

Augusto Santos Silva garante que o governo respeita a independência judicial, não se vai "precipitar a tirar conclusões" e vai continuar a colocar a relação entre Portugal e Angola no melhor patamar possível, mantendo "cooperação total".

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, defendeu, esta tarde, na Assembleia da República, que a "melhor maneira de defender a economia portuguesa é sendo implacável no combate à corrupção e a práticas cleptocráticas". Questionado por António Maló de Abreu, deputado do PSD, sobre o chamado Luanda Leaks e as garantias de defesa dos interesses das empresas e dos trabalhadores portugueses envolvidos no caso, Santos Silva foi peremptório em garantir que a prioridade de Portugal é defender a lei.

"A melhor maneira de defender [as empresas, os trabalhadores e a economia portuguesa] é cumprindo a lei e sendo implacável no combate a práticas de corrupção, práticas cleptocráticas ou outras práticas indevidas", assegurou. Para o ministro, um instrumento decisivo nesse combate é a cooperação entre os dois países, que num contexto de estreito relacionamento bilateral, abrange "todos os níveis", designadamente policial, judiciário e fiscal. "Para que tudo seja claro, para que todos os indícios possam ser investigados e para que o relacionamento económico seja limpo, transparente, cristalino", assegurou.

Alvo de várias questões sobre o escândalo Luanda Leaks também do Bloco de Esquerda, Augusto Santos Silva salientou que o executivo socialista vai continuar a aprofundar a cooperação com Angola, respeitar a independência judicial e "não ser precipitado a tirar conclusões", após as revelações sobre a empresária Isabel dos Santos.

"Portugal fará o que tem feito desde que eu sou ministro dos Negócios Estrangeiros: colocar a relação entre os dois países no melhor patamar possível, respeitar a justiça angolana [...], fazer uso de todos os instrumentos de cooperação bilateral entre os dois países [...] e respeitar a independência dos reguladores e a independência dos poderes judiciais", disse o ministro.

"E também não ser precipitado nas conclusões que tiramos antes mesmo de conhecer os factos", acrescentou Santos Silva, que respondia ao deputado do Bloco de Esquerda (BE) Pedro Filipe Soares, que perguntou o que vai o Governo fazer neste caso, depois de ter dado "um tratamento especial a Isabel dos Santos, com acesso direto ao gabinete do primeiro-ministro".

Um consórcio de jornalismo de investigação revelou no domingo mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de "Luanda Leaks", que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que estarão na origem da fortuna da família.

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ), que integra vários órgãos de comunicação social, entre os quais o Expresso e a SIC, analisou, ao longo de vários meses, 356 gigabytes de dados relativos aos negócios de Isabel dos Santos entre 1980 e 2018, que ajudam a reconstruir o caminho que levou a filha do ex-presidente angolano a tornar-se a mulher mais rica de África.

Durante a investigação, foram identificadas mais de 400 empresas (e respetivas subsidiárias) a que Isabel dos Santos esteve ligada nas últimas três décadas, incluindo 155 sociedades portuguesas e 99 angolanas.

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