Governo prepara medidas para compensar fecho da Central Termoelétrica do Pego

Executivo vai aplicar verbas do Fundo para a Transição Justa em três dimensões: proteção de trabalhadores, criação de emprego e desenvolvimento de projetos.

O Governo garante que já estão em andamento medidas para compensar as populações do Médio Tejo pelo encerramento da Central Termoelétrica do Pego, em Abrantes, que emprega cerca de 200 pessoas.

Em Glasgow, onde participa na COP26, o ministro do Ambiente e da Ação Climática avançou em declarações à RTP3 que há vários projetos para compensar as duas centenas de agora desempregados devido ao fecho, já no final do mês, da última centra a carvão do país.

O executivo vai utilizar para o efeito as verbas do Fundo para a Transição Justa em três dimensões: "Primeiro, a proteção social dos trabalhadores, a formação e a capacitação para novas funções, por exemplo, no domínio das energias renováveis. Em segundo lugar, o apoio à criação de novos empregos, quaisquer que sejam as áreas de trabalho. Em terceiro lugar, o desenvolvimento de um conjunto significativo de projetos que serão anunciados no dia 30", que ainda estão a ser negociados e não serão "necessariamente no Pego".

A utilização do polo de ligação à rede está a concurso até 15 de janeiro, mas Matos Fernandes diz não duvidar de que os projetos serão "criadores de emprego, completamente alinhados com a descarbonização e de grande investimento, que vão trazer algum emprego temporário".

Energia nuclear "não é segura, não é sustentável e custa muito dinheiro"

À margem da 26.ª conferência do clima das Nações Unidas (COP26), o ministro português defendeu também que a União Europeia (UE) não deve financiar projetos de energia nuclear porque "não é segura, não é sustentável e custa muito dinheiro". Na COP26 foi apresentada uma declaração conjunta da Alemanha, Portugal, Luxemburgo, Áustria e Dinamarca a defender uma "taxonomia" de projetos energéticos da UE livre de energia nuclear.

"Não estamos aqui para definir as políticas energéticas de nenhum país. Estamos aqui para enfatizar que realmente é uma má decisão colocar o nuclear dentro da taxonomia europeia. Não é seguro, não é sustentável e custa muito dinheiro", argumentou.

O financiamento europeu, vincou Matos Fernandes, deve direcionar-se para outras opções, principalmente as energias eólica e solar, e adiantou estarem em contacto com o setor privado para tomar esta mesma posição.

"Todo o dinheiro que se coloca na energia nuclear é definitivamente dinheiro que se devia colocar em energia renovável e é disso que o mundo precisa. Precisamos de energia, mas que não venha de [combustíveis] fósseis. E precisamos de energia que não tenha lixo nuclear", insistiu.

Numa intervenção antes de Matos Fernandes, a ministra do Ambiente alemã, Svenja Schulze, afirmou que "a energia nuclear não pode ser uma solução para a crise climática" porque é muito arriscada, muito lenta e não sustentável.

Atualmente, cerca de 12% da eletricidade da Alemanha tem origem no nuclear e metade em fontes renováveis.

Em 2011, depois do acidente na central nuclear japonesa de Fukushima, a chanceler alemã Angela Merkel anunciou que iria por fim às 17 centrais nucleares do país até 2022, apesar de receios que tal implique um aumento de emissões de gases com efeito de estufa devido ao recurso ao gás e carvão.

França é o terceiro maior produtor de energia nuclear do mundo, atrás dos Estados Unidos e China.

Decisores políticos e milhares de especialistas e ativistas reúnem-se até sexta-feira na COP26 para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e aumentar o financiamento para ajudar países afetados a enfrentar a crise climática.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 ºC acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de Covid-19, segundo a ONU, que estima que ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

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