Jorge Sampaio e a necessidade de se fazer mais para combater os populismos: "A defesa da democracia tem sido fraca"

Jorge Sampaio alertou para os desafios da democracia, em especial para o afastamento entre cidadãos e política.

"É preciso fazer muito mais". Palavras do ex-Presidente da República, em Óbidos, na abertura do curso de Verão do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), que tem a reflexão sobre os populismos como tema central e que decorre até quarta-feira.

Sampaio falou de populismos sem deixar de fazer referência a alguns dos aspetos que marcam a campanha para as legislativas de 6 de outubro.

O antigo chefe de estado vê o populismo como "variante enviesada e distorcida do sistema democrático". Em todos os casos no mundo, referiu, o fenómeno surge com traços comum: "concentração de poder através do enfraquecimento das instituições, controlo dos media, silenciamento das oposições".

Para o ex-presidente da república, as ideologias ainda contam mas o populismo está presente em ambos os quadrantes políticos, ou seja, há populismo de direita e de esquerda: "populismos há vários, como sabemos. Resta saber o percurso que cada um prossegue e portanto, há populismos de direita e populismos de esquerda". Concordando que há "diferenças fundamentais" nessa divisão clássica, afirmando que, na sua opinião, "as ideologias não acabaram", Sampaio entende que muito do "caminho carismático que pode acontecer depende do ponto de partida".

Aqui chegados, Sampaio não deixou de referir, com um sorriso, a declaração de Catarina Martins que tem animado a pré-campanha portuguesa: "acho que andamos todos atrás da social-democracia como se fosse uma salvação; a social-democracia é uma coisa muito complicada. Começa logo por não termos a convicção evidente de qual é o desenvolvimento económico que pode favorecer as classes sociais que já não existem tal como foram concebidas e de onde partiu a social-democracia, como - naturalmente - compreender como é possível deixar o slogan, digamos assim, e perceber como as políticas podem fazer as distinções que são necessárias". Sampaio diz que "é preciso não esmorecer", mas reconhece que "as dificuldades são muitas".

No curso de verão do IPRI dedicado aos populismos no museu municipal de Óbidos, o antigo chefe de estado afirma que o importante é a democracia não abandonar as pessoas: "se deixarmos as pessoas ao Deus-dará, se a separação e o fosso existente entre os mais ricos e os mais pobres, corremos o risco de as pessoas estarem disponíveis para tiques autoritários de vários tipos". Para o ex-Presidente, "nenhum país está blindado contra os populismos".

Jorge Sampaio deixa o alerta de que é preciso fazer mais para defender a democracia: "o que está a acontecer no domínio da defesa dos direitos e da defesa da democracia é relativamente fraco e tem que ser mais ativo e mais intenso".

No fim da sessão, o sentido de humor de Jorge Sampaio rotulado de maker (fazedor) por Humberto Marques, autarca de Óbidos: "Ou troublemaker" (criador de problemas), atirou o ex-Presidente.

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