"Há sempre um Orçamento escondido." Rangel acusa PS de seguir política que "não é fiável"

Em entrevista à TSF e ao DN, Paulo Rangel afirma que "há um Orçamento paralelo no Ministério das Finanças", diferente daquele que foi esta quinta-feira aprovado na Assembleia da República.

O vice-presidente do PSD, Paulo Rangel, acusa o PS de seguir uma gestão política financeira e orçamental "dualista", marcada pela diferença entre os orçamentos que aprova e aquilo que depois executa. "Há sempre um Orçamento escondido", afirma o social-democrata em entrevista à TSF e ao DN.

Na política "dualista" que o PS segue, diz Rangel, "uma coisa é o documento, outra coisa é a realidade". Por isso, embora até possa ter alguma dose de prudência, o Orçamento do Estado para o próximo ano tem "doses substanciais de irrealismo" e "não é fiável", à imagem dos outros orçamentos socialistas, critica.

"A realidade pode apontar, em muitos casos apontou para prudência, mas aquilo que foi aprovado não é aquilo que é executado. Há um enorme défice entre o orçamento executado e o apresentado. Os orçamentos do PS são irrealistas", afirma Rangel, considerando que isso tem efeitos negativos para os investidores e para a economia em geral. "Porque a economia sabe que aquele documento não é para ser levado a sério. Há um orçamento paralelo que está no Ministério das Finanças", reforça.

Questionado sobre se era possível um Orçamento muito diferente, tendo em conta o momento de incerteza que se vive, o vice-presidente do PSD não hesita: "Sem dúvida que é possível fazer um Orçamento muito diferente. Não tenho dúvidas sobre isso."

"Isto não significa que não tenha de ser feito um orçamento prudente", que, por um lado, se concentre no apoio às famílias e empresas em dificuldades, e que, por outro lado, também aposte nas reformas voltadas para o crescimento. E é sobretudo aqui que o OE2023 falha, aponta. Para Rangel, que acusa o Governo de António Costa de "navegação à vista", o que temos é um Orçamento de "empobrecimento".

"O país está cada vez mais pobre" e a gestão socialista "está a levar ao empobrecimento progressivo e cada vez maior", critica, frisando que o Orçamento aprovado esta quinta-feira na generalidade pela maioria absoluta do PS "reflete isso". No entender do eurodeputado, as "opções de políticas públicas" do documento do Governo "são erradas".

Mas acentua que, com esta análise, não quer dizer que "o PSD não seja - como sempre foi - um partido com responsabilidade orçamental". A responsabilidade orçamental é, aliás, uma característica dos social-democratas e, se o PS "começa a ter isso agora, é bem-vindo". O problema, afirma Rangel, "é que a forma como o PS tem feito as coisas não permite a sustentabilidade".

"Não nos interessa ter apenas responsabilidade orçamental", defende, sustentando que é preciso "uma responsabilidade que gere crescimento, desenvolvimento e equidade e coesão social". "E é isso que o PS não consegue", conclui

LEIA AQUI A ENTREVISTA COM PAULO RANGEL NA ÍNTEGRA

* Com Melissa Lopes

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