Há "uma clara confusão entre o que é uma direção de um partido e de um Governo"

No programa Almoços Grátis, da TSF, David Justino criticou António Costa por chamar para o seu Governo as principais figuras do Partido Socialista, e vincou que Centeno, mesmo sem liderar a Saúde e a Educação, dirige ambas as pastas.

David Justino acusou António Costa, de fundir exageradamente o secretariado nacional do PS e a constituição de um Executivo. Para o vice-presidente do PSD, há mesmo "uma clara confusão entre o que é uma direção de um partido e de um Governo".

No rescaldo do anúncio de constituição do Governo, David Justino afirmou, no Almoços Grátis, da TSF, que os portugueses irão analisar essa "confusão". Apesar de se "congratular" quanto à celeridade do processo, o social-democrata salienta que "isto não é um novo Governo", já que "o Governo foi remodelado apenas pontualmente".

"No Fórum TSF ouvi muitos ouvintes dizerem que nada mudou", argumentou David Justino, que se admitiu "perplexo" pela integração no maior Executivo dos últimos anos (19 ministros) de quatro ministros de Estado. De acordo com o vice.-presidente dos sociais-democratas, esta configuração seria apenas justificável diante de um cenário de coligações.

Ouvido pela jornalista Judith Menezes e Sousa, aquele que é um dos dirigentes do PSD comparou o núcleo duro do Governo, não "a uma espécie de Troika", mas a um "um conjunto de cinco que farão uma gestão mais centralizada".

A justificação de que tal se poderá prender com a presidência de Mário Centeno no Eurogrupo também "não convence", já que houve outros governos em que ministros ocuparam cargos de relevo e tal ressalva não foi feita. "A minha reserva mais importante é o facto de termos seis ministros e seis secretários de Estado pertencentes ao secretariado do PS e da estrita e reservada confiança do primeiro-ministro", frisou.

Insistindo na "confusão" que foi e poderá a continuar a ser gerada, o vice-presidente do PSD constatou que este é somente um "Governo para dar continuidade ao que foi feito anteriormente", e que saem apenas de cena "presidentes de câmara e quem foi para o Parlamento europeu". Na perspetiva de David Justino, esta é uma indesejável "sobreposição de interesses entre o partido e Governo".

A "confusão exagerada" é estendida às pastas da Educação e Saúde, conforme fez nota o social-democrata. "O caso da Educação e da Saúde são paradigmáticos. Vale a pena ser mau ministro porque continuidade está garantida." David Justino vincou ainda a "dimensão de fragilidade" que a recondução atribui "a setores difíceis e subsistemas muito complexos".

No caso de Tiago Brandão Rodrigues, David Justino realçou que o ministro "imprimiu uma gestão estritamente política, e para isso não é necessário saber de educação". Ao mesmo tempo, o vice-presidente do PSD sublinhou que "quem mandava na Saúde e na Educação era o ministro das Finanças, o que é uma perversão, uma subversão" dos objetivos destes domínios da Tutela.

Por tudo isto, restam as "expectativas negativas" para a segunda governação de António Costa, com "nuvens que se adensam sobre o Governo" e que esperam dias melhores, reconheceu ainda. Talvez esses momentos mais áureos estejam relacionados com o desempenho do ministro do Mar, a quem David Justino reconhece "especial competência no domínio que vai tutelar".

Para Carlos César, no entanto, há um aspeto fulcral que altera a interpretação destas pontuais mudanças: "Este não é um Governo legitimamente eleito. É um Governo legitimamente reeleito." Nesse sentido, não é fundamental, na ótica do presidente do Partido Socialista, "renovar, já que o que foi renovado foi a confiança que os portugueses já tinham neste Governo".

Carlos César não esclareceu se concorda com todos os aspetos da nova configuração governativa, mas considerou natural tentar "conciliar confiança pessoal com segurança política". Mais ainda, o presidente do PS, que agora abandona a liderança a condução da bancada parlamentar socialista a favor de Ana Catarina Mendes, esclareceu que o "Governo teve, no último ano, cinco novos ministros, e agora são mais quatro ministros, o que significa uma renovação de metade do "Executivo".

O escrutínio, alegou, veio apenas dos portugueses, que, ao votarem, reforçaram este Governo. "Nós temos prioridades, e são claras", defendeu Carlos César, que tratou de elencar: "É importante continuar a proteger as famílias, as regiões mais afetadas, atenuar as assimetrias, especialmente quanto às creches e habitação."

Quanto à alegada sobrecarga de responsabilidades de Mário Centeno enquanto ministro de Estado, Carlos César tratou de referir que "é natural que as pessoas que têm preponderância para um efeito, para outros, também não sejam desconsideradas".

Interpelado por David Justino, que o questionou sobre a sobreposição do secretariado nacional do PS e do núcleo duro do Governo recém-constituído, Carlos César replica: "Isso depende do comportamento das pessoas." Justino concorda, mas deixa o aviso: "Os portugueses analisarão."

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