Houve uma "estratégia orquestrada no PSD, que nada dependia do resultado"

As divergências dentro do PSD sobre o futuro do partido estiveram em evidência no Fórum TSF. Salvador Malheiro sai em defesa do atual líder e critica oportunismos.

"O anúncio de Luís Montenegro merece alguma reflexão. Foi dito que seria necessária uma oposição mais abrasiva, que não se viu nos últimos dois anos", segundo os opositores de Rui Rio, começa por dizer o social-democrata Salvador Malheiro. No entanto, na perspetiva do vice-presidente do PSD, uma "oposição à Cristas" não é a mais desejável, já que teve o resultado "que se viu" nestas Legislativas.

A crise de sucessão no PSD esteve em foco no Fórum TSF desta quinta-feira, com Salvador Malheiro, presidente da câmara de Ovar, a defender o desempenho de Rui Rio, Paulo Cunha, da concelhia de Famalicão, a apontar Luís Montenegro como o melhor para seguir-se ao atual líder dos laranjas, e Teresa Morais, a deixar as críticas mais acérrimas à direção atual do partido.

Um resultado "honroso"?

Para Salvador Malheiro, o resultado obtido pelo PSD, encabeçado por Rio, foi "honroso" e só não teve uma dimensão interna maior devido ao oportunismo dos militantes que se lhe opõem. Os mais de 27% obtidos pelo PSD de Rio surgiram mesmo no seio de uma "constante agitação durante dois anos".

Houve também tempo para criticar Pedro Duarte, que "agora aparentemente será o responsável por escrever moção estratégica de Luís Montenegro", e que atingiu "o cúmulo" em janeiro. Em fevereiro de 2018, diz Salvador Malheiro, Luís Montenegro estaria pronto "para avançar à primeira oportunidade", e chegou a apoiar Santana Lopes, como lembra o presidente da câmara de Ovar.

Rio, vítima de uma "constante agitação" ou como a sua estratégia era "de extrema dificuldade"

Rio "sofreu uma constante agitação", alega aquele que se designa defensor da "verdadeira social-democracia". O vice-presidente do PSD acrescenta que internamente foi votada favoravelmente a estratégia de restaurar uma visão mais de centro no PSD. No entanto, esta seria uma estratégia com "extrema dificuldade de ser implementada".

O autarca de Ovar vê com "enorme estupefação" que estes protagonistas da social-democracia surjam agora naquela que afirma ser uma "estratégia orquestrada, que nada dependia do resultado": figuras, estas, "que fizeram hossanas a Rio aquando da constituição de listas".

Salvador Malheiro considera que o partido "precisa de ganhar credibilidade junto do povo", já que "a política é povo" e "a população quer Rui Rio à frente do partido".

"Tenho a certeza absoluta de que Rio é o militante com mais condições para continuar à frente do partido", frisa, sobre o líder, que estará agora "a ponderar".

O PSD perfaz, neste momento, 77 deputados, para 27,9% dos votos, mas Salvador Malheiro acredita que terão ainda mais, com a liderança do ex-autarca do Porto.

"Nas autárquicas de 2017, tivemos valores a rondar os 10% em Lisboa e Porto e agora chegam aos 34%", lembra o presidente da câmara de Ovar, que deixa uma última crítica às estratégias que emergiram "unicamente com o propósito de derrubar Rui Rio".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de