IL quer ouvir ministra da Defesa sobre documentos portugueses da NATO à venda na internet

À TSF, a deputada Patrícia Gilvaz considera que este é um caso "escandaloso" e "inaceitável" e sublinha que a Iniciativa Liberal também quer ouvir o chefe do Estado das Forças Armadas, a secretária-geral do Sistema de Informações da República e o diretor-geral de Segurança Nacional.

A Iniciativa Liberal vai pedir a presença da ministra da Defesa na Assembleia da República, na sequência das centenas de documentos secretos e confidenciais, enviados pela NATO a Portugal, que foram encontrados à venda na internet.

A deputada Patrícia Gilvaz considera que este caso é "escandaloso" e revela incapacidade do governo português.

"É importante perceber o que é que aconteceu, naquilo que consideramos que é um escândalo. Por isso mesmo, vamos submeter de imediato um requerimento para que seja ouvida a senhora ministra da Defesa Nacional, também vamos fazer nesse mesmo requerimento um pedido de audiência urgente do chefe do Estado das Forças Armadas, também da secretária-geral do Sistema de Informações da República para percebermos de imediato o que é que está a acontecer. Isto é um acontecimento inaceitável e, no nosso entender, até devia ser o senhor primeiro-ministro a vir à comissão à porta fechada explicar o que está a acontecer com uma área que é tutelada por ele, mas irá mais, uma vez mais, fugir", explicou à TSF a deputada da Iniciativa Liberal, acrescentando que também será feito um pedido de audiência ao diretor-geral de Segurança Nacional, António Gameiro Marques.

O alerta surgiu quando agentes da inteligência norte-americana detetaram centenas de documentos enviados pela NATO a Portugal à venda na 'darkweb'. A embaixada em Lisboa comunicou a situação diretamente a António Costa. Em causa, estão documentos secretos e confidenciais da aliança atlântica desviados depois de um ciberataque que se prolongou no tempo e foi efetuado de forma faseada.

A Aliança Atlântica já exigiu explicações ao Governo português e, na próxima semana, o secretário de Estado da Digitalização e da Modernização Administrativa e o diretor do gabinete de segurança nacional vão a Bruxelas para uma reunião na sede da NATO.

Os peritos tentam perceber ainda a dimensão do ataque, mas os primeiros indícios apontam para que os piratas informáticos tenham conseguido acesso aos computadores do Estado-Maior-General das Forças Armadas, das secretas militares e da Direção-Geral de Recursos de Defesa Nacional.

Terá havido uma quebra das regras de segurança, uma vez que foram utilizadas linhas não seguras para o tratamento dos documentos classificados, ao invés do sistema integrado de comunicações militares.

Esta não é a primeira vez que Portugal se vê envolvido numa quebra de segurança de documentos da NATO. O Diário de Notícias lembra que já tinha acontecido no caso do antigo espião Frederico Carvalhão Gil, que foi condenado há quatro anos, por espionagem a favor da Rússia.

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