"Impossível ficar indiferente." Partidos tentam chegar a acordo para 20 dias de luto parental

Ana Catarina Mendes admite que "não consegue quantificar uma dor de tamanha dimensão", e mostra abertura para chegar a um consenso.

O Parlamento vai discutir esta quinta-feira o aumento do luto parental, de cinco para 20 dias. O debate marcado pelo PS, conta com oito propostas, além do projeto apresentado pelos socialistas. Em declarações à TSF, a líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, adianta que depois do plenário os partidos vão reunir-se para chegar a um acordo.

A líder parlamentar do PS começa por referir que o partido "quer dar voz aos pais que perderam os filhos", e alerta que cinco dias de faltas justificadas ao trabalho "é muito pouco".

"É impossível quantificar uma dor destas, mas não é possível ficar indiferente ao apelo que os pais fazem através da Acreditar, para que tenham 20 dias de faltas justificadas perante uma tragédia desta dimensão", explica.

A associação Acreditar lançou uma petição, que já conta com 82 mil assinaturas, com o mote "o luto de uma vida não cabe em cinco dias", e sublinha que os cinco dias previstos na lei são "manifestamente insuficientes" para a fazer face à dor dos pais.

Além do projeto do PS, vão ser discutidos mais oito propostas, da direita à esquerda, só o CDS e os Verdes não apresentam uma iniciativa, e também as deputadas não-inscritas avançam com um projeto de lei.

Ana Catarina Mendes admite que "não consegue quantificar uma dor de tamanha dimensão", e apesar das várias propostas em cima da mesa, garante que há abertura para um texto comum entre todos os partidos.

"O que está conversado com todos os partidos é que depois do plenário haja uma reunião da comissão de trabalho para encontrarmos um texto de substituição que vá ao encontro da pretensão que nos foi colocada", destaca.

Os dois maiores partidos, PS e PSD, que apresentam uma proposta bastante idêntica, devem viabilizar os projetos de lei, permitindo um consenso antes da dissolução do Parlamento, que deve ocorrer nos primeiros dias de dezembro.

O Bloco de Esquerda (BE), o PCP e o Chega querem aumentar as faltas justificadas também na morte de irmãos, netos e avós, além do luto parental, mas a líder parlamentar socialista não concorda por "serem temas diferentes".

"Não podemos confundir. Este processo nasce de um alerta da associação Acreditar, nasce de uma dor de muitos, com crianças que morreram e pais que ficaram sem os seus filhos. Mais do que mexermos nas faltas todas, temos de ir ao encontro da pretensão que a acreditar nos colocou em cima da mesa", justifica.

A proposta do BE, do PCP e da deputada não-inscrita Joacine Katar Moreira prevê que o luto aumento de dois para oito dias na morte de familiares em segundo grau. No entanto, as iniciativas não devem ter maioria para descerem à fase de especialidade.

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