Imunidade europeia a 14 de julho. O que dizem os partidos sobre a estratégia de vacinação na UE?

O comissário europeu para o Mercado Interno informou que vão ser entregues entre 300 e 350 milhões de doses de vacinas à União Europeia no próximo trimestre. No Fórum TSF desta manhã, os partidos falaram sobre o processo de vacinação da União Europeia.

Thierry Breton, comissário europeu para o Mercado Interno, afirma que, nos próximos três meses, vão ser entregues entre 300 e 350 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, o que permitirá alcançar a imunidade de grupo na União Europeia (UE) a 14 de julho, mas PCP e Bloco de Esquerda não estão convencidos. O assunto foi tema de debate no Fórum TSF desta manhã.

O PCP classifica como desastrosa a execução do processo de vacinação da UE. João Ferreira, eurodeputado comunista, defende, por isso, que cada Estado-membro deve procurar alternativas para garantir a vacinação da sua população.

"Portugal tem aqui uma dupla responsabilidade: uma responsabilidade enquanto Governo de Portugal, que deve acautelar os interesses dos portugueses, e uma responsabilidade enquanto presidência do Conselho da UE. Portugal devia estar neste momento a tomar medidas para encontrar estas estratégias alternativas", afirma.

Também Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, considera que a existência de uma estratégia comum no processo de vacinação não deve impedir Portugal de tomar medidas próprias.

"Percebemos que, em alguns casos, a estratégia europeia é uma estratégia que bloqueia mais do que ajuda", explica, acrescentando que "o facto de ter uma estratégia comum não dispensa que os países tenham também estratégias próprias, sobretudo quando a estratégia europeia é uma estratégia que bloqueia e que se bloqueia pela sua própria inabilidade em gerir o processo das vacinas".

"Creio que o facto de vários países já estarem a avançar com estratégias próprias significa que, a médio prazo, teremos uma soma de estratégias nacionais a acumular à estratégia europeia. Se a estratégia europeia falha, não vejo nenhuma razão para que os países não possam tentar desbloquear áreas onde a UE está a bloquear", considera.

Diferente é a opinião do PSD. O eurodeputado Paulo Rangel considera que a tomada de decisões unilaterais por parte dos estados membros desacreditaria a União Europeia juntos dos cidadãos.

Paulo Rangel dá o exemplo da Áustria e Dinamarca que "foram a Israel", da Eslováquia e Hungria que "estão a tentar já utilizar a vacina russa, apesar de não estar autorizada pela autoridade do medicamento" e da Alemanha em que "o ministro da Saúde advertiu, na semana passada, para uma eventual compra da Sputnik à margem das regras da UE".

O eurodeputado do PSD considera que "não é apenas um problema da vacinação". "Nós estamos a criar uma desconfiança nos cidadãos face à UE que é extremamente perigoso e, por isso, eu também acho que é um pouco estranho que a presidência portuguesa, que devia estar a liderar um esforço de evitar esta fragmentação, até agora não tenha falado sobre este assunto", admite.

Uma opinião partilhada também pelo PS. A eurodeputada socialista Sara Cerdas considera que Portugal, tendo a presidência da União Europeia, deve fazer tudo para unir os Estados-membros e não defender medidas unilaterais.

"Portugal nunca teria a capacidade de negociação que teve com a aquisição conjunta das vacinas por parte da UE se negociasse sozinho, ou seja, nós somos um país pequeno e periférico, não temos uma riqueza extraordinária e, certamente, a nossa posição negocial não seria tão forte quanto aquela que tivemos fazendo parte do projeto europeu e da aquisição conjunta pela UE", refere.

Nuno Melo considera vantajoso que a União Europeia aja em conjunto para que os países europeus menos poderosos não sejam prejudicados. O eurodeputado do CDS diz que a falha na estratégia de produção e compra de vacinas não foi da UE, mas, sim, das farmacêuticas.

"É importante que verifiquemos que a UE continua a funcionar em bloco institucionalmente, para vantagem dos 27, porque, de outra forma, o que terá serão países poderosos a conseguirem negociações unilaterais com empresas e obviamente que os menos poderosos, onde Portugal se inclui, ficarão prejudicados", avisa.

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