Independente e de "grande sanidade política". Henrique Neto e Paulo Pedroso apoiam Ana Gomes

A independência de Ana Gomes pode ser uma mais-valia na corrida a Belém, consideram Henrique Neto e Paulo Pedroso, contra a extrema-direita e a abstenção.

Henrique Neto acredita que a candidatura de Ana Gomes às eleições presidenciais, em janeiro de 2021, pode travar a afirmação da extrema-direita em Portugal.

Em declarações à TSF, o empresário e antigo candidato a Belém declarou o seu apoio à antiga eurodeputada, e destaca que esta representa "uma oposição democrática à candidatura do professor Marcelo Rebelo de Sousa".

"Se não houvesse esta candidatura, muitos portugueses seriam tentados a votar à direita, no candidato do Chega. Assim, existe uma candidatura alternativa à presidência atual."

Para Henrique Neto, Ana Gomes "tem dado garantias de grande sanidade política e intelectual", pelo que haverá muitos portugueses que se podem rever na sua candidatura.

O empresário considera ainda que a entrada da ex-eurodeputada na corrida a Belém pode ajudar a reduzir a abstenção, já que muitos portugueses "não votam em candidaturas partidárias".

Também na visão do sociólogo Paulo Pedroso, antigo ministro que entretanto se desfiliou do PS, a posição independente de Ana Gomes é uma mais-valia.

"Ana Gomes tem uma característica: toda a gente sabe que é socialista, mas o seu posicionamento é de uma grande independência", destaca. Tem "uma independência de espírito muito forte".

Além disso, aponta, porque esta não é uma candidata de um espaço partidário, ao contrário dos outros candidatos declarados até ao momento, "não tem nenhuma agenda de fazer avançar os seu partido - é uma genuína candidatura presidencial."

Pelo contrário, evoca uma presidência que não é "nem tutora nem braço direito do Governo, mas que vem na linha dos três primeiros presidentes", destaca Paulo Pedroso.

O antigo ministro ressalva também que o apoio formal de um partido não tem hoje a mesma importância que tinha o passado. "É normal o PS ter candidatos no espaço político que não são necessariamente apoiados pelo partido"

"Seria mau se a candidatura de Ana Gomes fosse contra o Partido Socialista em si, mas parece-me claro que não é esse o posicionamento dela. Estou convencido que (...) haverá muitos socialistas que apoiam Ana Gomes. Inequivocamente, é a única candidatara do espaço do socialismo democrático que até este momento surgiu nestas eleições."

No PS, a candidatura de Ana Gomes já recebeu o apoio do antigo líder parlamentar e ex-eurodeputado Francisco Assis e do líder da tendência minoritária na Comissão Política socialista, Daniel Adrião.

Outra prova de que a candidatura da antiga eurodeputada socialista "era necessária e tinha espaço", na opinião de Paulo Pedroso, é "a violência como é atacada logo no memento em que é declarada", considera.

É o caso da reação de André Ventura ao anúncio de candidatura, que esta manhã afirmou que se demitiria da liderança do Chega caso Ana Gomes ficasse à sua frente nas eleições presidenciais.

O reeleito presidente do Chega diz que Ana Gomes só entra na corrida para tentar evitar a sua vitória e descreve-a como "histérica, obcecada com os seus inimigos de estimação, amiga das minorias subsidiodependentes".

Ana Gomes colocou pela primeira vez como hipótese entrar na corrida à presidência em 17 de maio, dizendo que iria refletir sobre esse passo, embora não ambicionasse ser candidata. Confirmou esta terça-feira a intenção de se candidatar e remeteu para quinta-feira o anúncio oficial.

Junta-se a André Ventura e Marisa Matias na corrida a Belém, enquanto o atual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, remeteu a decisão de uma eventual recandidatura para novembro.

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