Inspetores do SEF saúdam plano de contingência mas alertam que não resolve questão de fundo

Acácio Pereira lamenta que o aeroporto de Lisboa seja de "vão de escada" e alerta que "o número de passageiros que hoje aporta em Lisboa aporta porque em Portugal existe segurança".

O Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF) defende que o reforço de meios nos aeroportos portugueses, apresentado esta terça-feira pelo ministro da Administração Interna, pode ajudar a agilizar o controlo de passageiros, mas não resolve o problema de fundo.

O presidente do sindicato, Acácio Pereira, alerta que os aeroportos portugueses não são funcionais e, sem uma modernização das estruturas, os tempos de espera no controlo de passageiros nunca vão diminuir.

Apesar de ver o reforço de meios como uma "medida positiva", o líder do sindicato lamenta que o aeroporto de Lisboa seja "de vão de escada" e que o aeroporto de Faro, embora recente, "não tenha capacidade para colocar mais terminais de passagem".

"O aeroporto de Lisboa não é funcional, toda a gente o sabe e, portanto, há constrangimentos que não são apenas relativos ao SEF, mas a todo o aeroporto", assinala Acácio Pereira, que diz ser necessário dar "fluidez e preponderância à principal função do aeroporto, que é o controlo de passageiros e não a parte comercial".

A fluidez não pode, no entanto, atrapalhar a segurança do controlo de passageiros, alerta Acácio Pereira: "Contrariamente ao que se pensa, um aeroporto não é um sítio cuja principal função seja fluir rapidamente."

O líder do sindicato destaca que "o número de passageiros que hoje aporta em Lisboa aporta porque em Portugal existe segurança e, no dia em que deixar de existir segurança, nós não vendemos mais entradas em Portugal".

Já sobre as filas registadas no aeroporto de Lisboa no último fim de semana, Acácio Pereira rejeita uma "visão de paróquia em relação às coisas" e garante que "basta fazer-se uma pesquisa por fontes abertas" para verificar que "em aeroportos como Barcelona, Schiphol, Bruxelas e Montreal estiveram três horas de espera".

"Não é uma realidade apenas portuguesa, é transversal a todo o fluxo de passageiros", garante.

Entre as medidas do plano de contingência apresentado pelo ministro da Administração Interna está o reforço de quase 250 efetivos das forças de segurança nos aeroportos, incluindo agentes da PSP, algo que para Acácio Pereira acaba por reforçar a falta de inspetores no SEF.

O líder do SCIF/SEF dá o exemplo do distrito de Beja, "com uma carga de relevo ao nível do tráfico de seres humanos, decorrente do emprego de mão de obra sobretudo estrangeira na área".

"Se a memória não me atraiçoa, há três inspetores. A realidade do SEF é esta, temos muito pouca gente em todos os sítios, o serviço foi sempre olhado com menoridade, nunca foi dotado dos meios que eram necessários", lamenta.

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