A Berardo "não são as comendas que lhe quero tirar. É o sorrisinho da cara"

Todas as vozes da Circulatura concordam que a recente vaga de críticas demonstra a "hipocrisia" de quem, hoje, finge que não sabia quem era Joe Berardo.

A gargalhada de Joe Berardo passou, esta quarta-feira pela Circulatura do Quadrado. A audição ao banqueiro, no Parlamento, foi o tema central do debate entre Pacheco Pereira, Lobo Xavier e Jorge Coelho.

Pacheco Pereira foi direto ao assunto. "Quando ele recebeu as comendas, toda a gente que o conhecia sabia quem ele era. Não há novidade nenhuma. Estes festivais de hipocrisia que temos ciclicamente não ficam bem. Não são as comendas que lhe quero tirar. É o sorrisinho da cara." O aviso estava lançado.

O significado do sorriso? "Impunidade". O sorriso quer dizer "faço o que quero, peço o dinheiro que quero, dão-me o dinheiro que quero, estouro o dinheiro que quero. E não tenho contas a dar porque não tenho. Coitado, sou pobre, não tenho um tostão. É o sorriso que quero tirar. O homem está a gozar com os deputados, não está a prestar nenhuma declaração útil, é convidado numa casa que tem significado institucional e comporta-se daquela maneira? É para a rua!"

Comendador ou não? Lobo Xavier lembra que "ele até tem a Grã-Cruz", tal como o próprio centrista. "É a minha ordem, do Infante [D. Henrique]."

Ainda assim, Lobo Xavier entende que a postura de Berardo "até acrescentou alguma coisa". Primeiro, porque "disse a verdade, ao contrário de boa parte das pessoas que lá vi passar. Só lá vi pessoas a dizer 'não sei', 'não vi', 'não assinei', 'não estava no banco no dia em que emprestaram'. Só vi conversa de 'lero-lero' - como se diz na conversa de café - e só vi mentiras. O Berardo sempre foi assim, um parvenu, matreiro, finório, com dificuldades de expressão e de articulação, mas com muito appeal mediático por causa disso, aproveitador dos ventos políticos... Só descobriram agora que ele é assim?"

Perante as críticas feitas ao empresário, que acredita terem como objetivo que Berardo não conte o que sabe, Lobo Xavier deixa um aviso: "Este homem conta o que sabe. Qualquer dia, conta as reuniões que teve. Vai contar o modo como se fizeram os contratos. Gritem, apertem com ele, porque ele vai contar. E ele sabe muito!"

Já Jorge Coelho pergunta se "lhe descobriram agora os defeitos todos?" É que "quando tinha a mesma postura", deram-lhe comendas.

Sobre as declarações de António Costa, que no Parlamento disse que a coleção Berardo vai mudar de mãos em 2022, Jorge Coelho considera que se avizinha "uma grande batalha jurídica".

"Como é que ninguém dá conta? Ninguém está em cima de um cliente daqueles para perceber que foi feita uma operação de aumento de capital para blindar? Que o leva ao sorriso e ao 'ah ah ah' quando lhe disseram que iam lá buscar o dinheiro?", questiona.

O antigo ministro do Equipamento Social, da Presidência e do Estado concordou, de seguida, com Lobo Xavier: "Se há coisa de que tenho a certeza é que Joe Berardo vai dizer tudo o que lhe apetece sobre quem quer que seja e o que foi feito".

Pacheco Pereira regressou ao debate para notar que, hoje, Berardo "é um pára-raios" e que "funciona para ocultar". "Ao lado, está imensa gente responsável pelo que aconteceu, protegida pelo pára-raios do Berardo", explicou. "O crédito em Portugal, durante um certo tempo, foi político. Foi controlado politicamente por pessoas que eram colocadas na Banca, com responsabilidade no crédito, para o usarem como um instrumento político", ao qual se deve somar "a complacência perante Berardo" dos vários Governos.

De volta a Lobo Xavier, o centrista pediu a quem diz que tudo foi normal na concessão de crédito a Berardo que lhe indiquem "um grande grupo português, industrial e comercial, que tenha nessa altura levantado metade do que Joe Berardo levantou".

O próprio garantiu que tal "não existe" e que tudo fazia parte de uma "estratégia política, nuns casos, e noutros financeiro-pessoal-política - que é o caso de Ricardo Salgado - e para isso valia tudo".

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