"A oposição é muito desgastante e muito dura"

Depois dos bons resultados na autárquicas, o CDS tem vindo a decrescer nas sondagens. Na entrevista à TSF e DN, a líder do partido fala dos "momentos melhores e piores" de estar na oposição e do trabalho que o partido está a fazer para não voltar a níveis de votação como os registados em 1987 ou 1991.

Depois desse bom resultado que teve nas autárquicas em Lisboa, o CDS tem vindo a decrescer nas sondagens e nos resultados, nomeadamente nas europeias. Que lições tirou?

A oposição é muito desgastante e é muito dura e como qualquer organização, qualquer partido, e para quem está na vida pública e na linha da frente intensamente, há momentos mais altos e momentos mais baixos, há momentos melhores e momentos piores. Nós sempre definimos duas linhas paralelas: uma oposição muito construtiva, com política positiva, apresentando alternativas - foi o que fizemos durante quatro anos. Mas as nossas alternativas foram muitas vezes rejeitadas e, portanto, as pessoas não sentiram o impacto dessas boas medidas. E depois, obviamente, uma oposição muito firme ao governo, e aí sentimos que muitas vezes ficámos sozinhos a fazer oposição. Isso desgasta, como é evidente. Se não fosse o CDS este Governo era o único que ficaria para a história democrática sem uma moção de censura. Todos os anos fomos nós que liderámos, se quiserem, essa alternativa de visão com a questão dos impostos, alterações climáticas, competitividade das empresas, demografia, saúde. São propostas que estarão no nosso programa eleitoral. Como garantir que as pessoas têm consulta de especialidade em tempo útil, e a nossa proposta é muito simples: normalmente o tempo útil são três meses, ora se não conseguirmos ter num hospital do SNS, então a pessoa deve poder escolher e ir a um hospital do setor social ou do setor privado.

Mas é o eleitorado que não está a perceber a mensagem ou é o CDS que não a está conseguir fazer passar?

Não. Eu acho que aqui a culpa é sempre de quem não consegue fazer passar. Por isso mesmo digo que as nossas propostas ficarão agora a ser mais conhecidas. Vou dar um exemplo: o primeiro partido a pôr em cima da mesa o estatuto do cuidador foi o CDS. Alguém reconhece que foi o CDS o primeiro partido a trazer o estatuto do cuidador ao Parlamento? Se calhar, não.

As sondagens estão a apontar um CDS em queda. Estamos a dois meses das eleições e presumo que esteja preocupada, ainda que valham o que valham. O CDS corre o risco de voltar a níveis de votação como teve em 1987 ou em 1991, ano em que ficou como o "partido do táxi"?

Nós trabalhamos todos os dias para termos um bom resultado e para que isso não aconteça. Trabalhar todos os dias é mostrar às pessoas quais são as nossas ideias e porque é que faz sentido votar no CDS. E eu confesso que não acredito que a esmagadora maioria do país não se reveja em propostas como esta de podermos ter todos acesso à ADSE; ou como a de podermos todos ter uma consulta de especialidade dentro do prazo útil de três meses; ou como a necessidade de baixar impostos com 15% de redução no IRS para toda a gente; ou como precisamos de ter uma economia a funcionar melhor e isso passa por libertar as empresas, por exemplo, da perseguição fiscal. A minha convicção - e permita-me que desvalorize as sondagens porque na nossa história a regra tem sido não corresponderem ao resultado - é que nós estamos a dois meses das eleições e este é o momento para explicar às pessoas porque é que nós achamos que faz sentido votarem no CDS.

Por muito injusto que isso seja, às vezes parece que as pessoas só votam no CDS quando percebem que é de facto uma alternativa operativa, ou seja, quando o PS está em crescimento, o CDS também está em crescimento. Acha que a crise no PSD também está a afetar o CDS?

As pessoas sentem-se desiludidas e um bocadinho órfãs de uma alternativa sólida no centro-direita. Nesta sessão legislativa tivemos várias propostas que foram chumbadas desde o início. Foi, se quiserem, o primeiro grande pacote legislativo apresentado por nós. Nós continuamos a insistir e a persistir. Há uma coisa boa: todos os partidos neste momento falam de creches, da necessidade conciliar trabalho e família...

Não vai dizer, como Rui Rio, que o PS anda a copiar as propostas do CDS...

Isso é verdade, mas não vou por aí. Vou dizendo que apesar de tudo faz sentido ter esta insistência na oposição. Isto é o diálogo político-partidário positivo a funcionar. Foi rejeitado ter uma fórmula muito rápida de ter creches em todo o lado com uma resposta que é de centro-direita e é mais barata, rápida e eficaz: contratualizar com o setor social e privado. Outra medida, por exemplo...

Vai-nos debitar o programa todo, não vai?

Todo não,... mas posso dar-vos uma novidade, nesta área da natalidade. Nós já tínhamos proposto o alargamento da licença de parentalidade para 210 dias, nesta legislatura - foi rejeitado. Nós agora propomos passar para um ano. É o que acontece nos países nórdicos, com melhores índices de fecundidade. Uma parte inicial para mãe, o resto com flexibilidade entre pai e mãe.

Um ano, pago quanto?

Um ano. Isso depois veremos. Pode não ser os 100% mas que seja próximo - para poder ser repartido entre o pai e a mãe, isso é um aspeto positivo. E com uma novidade - que o CDS defende há muito tempo - por exemplo, os avós poderem gozar uma parte da licença. Isso traz uma grande vantagem para as crianças, até do ponto de vista da saúde. Porque não só uma grande dificuldade de creches como também sabemos que se uma criança poder ficar um ano em casa está certamente mais protegida.

Já respondeu a Pedro Santana Lopes? Com o desafio que fez aos vários partidos de centro-direita?

O CDS sabe que está sempre disponível para conversar com toda a gente. Eu tenho dito sempre e continuarei a dizer isso. nós temos que ter - se quisermos governar - 116 deputados no espaço político de centro-direita. E o CDS quer contribuir o mais possível. O diálogo que nasce deste espaço pode ser feito a 2, a 3... Do lado do CDS sempre houve toda a disponibilidade para conversar e convergir. Agora também lhe vou dizer não sinto grande abertura, ou não senti nenhum sinal da parte do maior partido para se poder ter alguma solução pré-eleitoral.

Mas estava disponível para ter existido essa solução? Para uma coligação pré-eleitoral?

Aquilo que lhe posso dizer é que o CDS está sempre disponível para conversar. E nós olhamos para o PSD como o partido com o qual nos podemos entender - como no passado - e no futuro. Não temos outra alternativa de parceiro. Com este Partido Socialista, com este António Costa eu acho que é muito difícil porque a sua escolha foi feita à esquerda. E o país precisa de uma alternativa clara por outras políticas de centro direita.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de