Portugal

Austeridade deve ser sobriedade e não privação, diz Vítor Bento

Vítor Bento diz que pode haver compatibilidade entre austeridade e crescimento económico, desde que se desviem recursos que eram desperdiçados no consumo para o campo produtivo.

Deve-se transformar a austeridade de «uma ideia de privação para uma ideia de sobriedade e, portanto, habituarmo-nos a sermos mais sóbrios no sentido de podermos utilizar melhor os escassos recursos de que dispomos para fins socialmente mais interessantes», disse o conselheiro de Estado.

PUB

Por esse caminho, considerou, austeridade e crescimento económico são compatíveis, na medida em que se «nós fizermos uma utilização mais eficiente dos recursos, podemos desviar recursos que seriam desperdiçados no consumo para o campo produtivo».

Mas isso, sublinhou, só é possível com a criação de condições para o investimento, requisito fundamental para rimar com crescimento.

Guilherme de Oliveira Martins põe também a tónica na forma como se olha para a austeridade.

«A austeridade que nós dizemos que não pode ser um fim em si é a depressão da procura. Se não há uma atenção especial na procura e se não há atenção muito especial aos equilíbrios macro-económicos, arriscamo-nos, como vimos na opinião da Standard&Poor's, a ficar presos por ter cão e por não ter, alertou.

É preciso cumprir o défice, mas também é preciso ter cuidado para não deprimir a economia, ou seja, a austeridade tem que ser vista como sinónimo de sobriedade na economia, na visão de Vítor Bento.

Confrontado com notícias que dão conta de divergências entre Belém e Governo quanto à condução da política orçamental, Vítor Bento disse que que não sabe de que tensão se fala nas notícias e que estas lhe fazem lembrar histórias que ouvia enquanto criança.