Política

Candidatura de Paulo Rangel quer «libertar o futuro»

Paulo Rangel reconheceu que mudou de discurso e justificou a candidatura à liderança do PSD, de «ruptura», com as «circunstâncias excepcionalmente graves» de Portugal.

«Sinto o apelo moral e o dever cívico, sinto mesmo a responsabilidade nacional de apresentar a candidatura à presidência do PSD», justificou, depois de ter lembrado que tinha dito há mais de três meses, que em razão do cumprimento do seu mandato europeu, «não pretendia ser candidato à liderança do PSD».

Em conferência de imprensa esta quarta-feira, o eurodeputado eleito pelo PSD alertou que Portugal vive «situações excepcionais», «quase dramáticas», com uma «situação financeira muito delicada», que se agravou «sobretudo nos últimos dias».

«A autoridade, o prestígio e a confiança no Governo têm vindo a degradar-se de dia para dia», acrescentou, frisando que até o poder judicial vive um «desgaste».

O candidato à liderança social-democrata acusou ainda o PS de ter comprometido o país e considerou que o PSD deve «libertar o futuro» de Portugal, em concreto dos «condicionamentos» criados pelos socialistas e dos «encargos até aqui contraídos».

«No actual estado de coisa, já não basta mudar. É preciso romper», defendeu.

Paulo Rangel apresentou-se assim como um candidato que quer fazer «uma rotura com quinze anos de políticas socialistas» e "libertar o futuro, criando, a partir daqui, uma esperança de reerguer o PSD».

Rangel afirmou que a sua candidatura não é «uma candidatura preparada, não dispõe de exércitos alinhados, não foi inspirada em almoços ou reuniões com estruturas partidárias ou com personalidades gradas do partido» e que não fez «qualquer convite a militantes, personalidades ou amigos para a presença nesta sala esta noite».

A vice-presidente do PSD Sofia Galvão e os deputados  Luís Rodrigues, Pedro Saraiva e Nuno Encarnação foram alguns dos social-democratas que estiveram presentes na apresentação da candidatura de Paulo Rangel.

Entretanto, o social-democrata Paulo Mota Pinto considerou, a título pessoal, que a candidatura de Paulo Rangel «é mobilizadora, credível e vitoriosa».

Já a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, recusou, esta quarta-feira no Parlamento, comentar as candidaturas à sua sucessão, afirmando que todos os militantes do partido podem ser candidatos à liderança.