Na grande família socialista, "o nepotismo é inaceitável"

António Costa lembra que as relações surgem naturalmente entre pessoas no mesmo contexto, mas é perentório: "Ninguém pode em caso algum ser nomeado por ser familiar de..."

António Costa diz que é prematuro falar da listas socialistas para a nova legislatura, mas a polémica das relações familiares no Governo está bem presente na hora da escolha.

O "nepotismo é inaceitável", vinca o primeiro-ministro em entrevista ao Observador. "Ninguém pode em caso algum ser nomeado por ser familiar de..."

Por outro lado, é natural que se formem relações entre pessoas da mesma área política, defende - conhecem-se num determinado contexto, são amigos de amigos.

"Só nos filmes duas pessoas que não têm qualquer relação se encontram numa prateleira de supermercado e é amor à primeira vista", brinca.

Ainda a perspetivar o futuro, António Costa admite apoiar a recandidatura de Ferro Rodrigues ao Parlamento.

"Sei que Eduardo Ferro Rodrigues está disponível para se recandidatar a deputado [nas listas do PS] à Assembleia da República e que, portanto, continuará a ser deputado", disse.

Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, "seria incompreensível para 85% dos portugueses que o apoiam" se não se recandidatasse à Presidência da República, defende.

Interrogado se o PS admite apoiar a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para um segundo mandato, o secretário-geral do PS argumenta que primeiro importa saber "se é candidato ou não é, se for candidato com que programa se apresentará".

As hipóteses são boas: Costa "diria que há 99% de possibilidades de ele se candidatar."

Se a relação com Cavaco Silva "foi sempre corretíssima", a postura "mais expansiva" de Marcelo Rebelo de Sousa permitiu uma relação "mais intensa" entre o primeiro-ministro e o Presidente.

Costa não quer proibir PPP

Questionado sobre se a regulamentação da Lei de Bases da Saúde pode proibir as Parcerias Público Privadas (PPP), o primeiro-ministro admite que sim, "pode". Questionado se "quer que proíba", a resposta é "não".

"Pessoalmente, não tenho particular entusiasmo pela ideia das PPP", admite António Costa, mas há que reconhecer: o que interessa é garantir a boa gestão da Saúde.

"Nunca encontrei evidência de que a gestão privada era necessariamente má", nota.

O primeiro-ministro lembra ainda que a Lei de Bases "só tem vantagens se transcender uma maioria e uma conjuntura política": não adianta ter uma Lei de Bases que não possa ser chumbada pelo Presidente da República, quando pode ser mudada na legislatura seguinte.

A questão das PPP nem é a mais importante da nova Lei de Bases, considera António Costa. Se tem sido a mais discutida é porque "há uma hipervalorização mediática das posições do Bloco de Esquerda", condena.

Centeno no FMI?

António Costa diz que a eventual ida de Mário Centeno para o Fundo Monetário Internacional (FMI) não um "objetivo", mas admite que "é uma hipótese que não podemos deixar de considerar".

Este "não é um objetivo fixado" - ao contrário das candidaturas de António Guterres ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas e de Centeno ao lugar de presidente do Eurogrupo - mas, se assim optar, o ministro das Finanças pode contar com o apoio do Governo "para cargos internacionais", garantiu o primeiro-ministro.

Poderá ser necessário redesenhar a estratégia socialista para as próximas eleições, mas uma coisa é certa: "Certamente não ficaremos sem ministro das Finanças".

Mário Centeno, que atualmente preside ao Eurogrupo, é um dos quatro nomes apontados para substituir Christine Lagarde como diretor-geral do FMI.

A revelação foi feita esta quarta-feira pelo The Wall Street Journal, citando fontes europeias. Na reunião de ministros do G7 foram ainda mencionados Nadia Calviño, ministra da Economia espanhola, Ollin Rehn, o governador do banco central da Finlândia, e Jeroen Dijsselbloem, ex-ministro das Finanças holandês, que também presidiu ao Eurogrupo.

Lagarde deixa a liderança do FMI a partir de 12 de setembro para presidir ao Banco Central Europeu (BCE), substituindo Mario Draghi, que termina o seu mandato no dia 31 de outubro.

O dramatismo do Tribunal de Contas

António Costa desvaloriza as críticas apontadas pelo Tribunal de Costas ao Fundo Revita.

O organismo concluiu que houve imprecisão e falta de transparência na distribuição do fundo foi criado pelo Governo para gerir os donativos às populações afetadas pelos incêndios de junho 2017 nos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande.

O primeiro-ministro promete ler o relatório com atenção, mas sublinha que "não é apontado um único caso de má utilização dos fundos. Se houve o tribunal fará o que lhe compete: participar ao Ministério Público."

"A experiência tem-me dito que os press release do Tribunal de Contas costumam ser mais dramáticos do que a realidade do Tribunal de Contas", critica.

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