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Coadoção: Isabel Moreira acusa Hugo Soares de «bullying político»

A deputada do PS Isabel Moreira, uma das impulsionadoras da legislação sobre coadoção de crianças por casais do mesmo sexo, acusou hoje o social-democrata Hugo Soares de «bullying (perseguição) político», após a aprovação do referendo sobre aquela matéria.

«Assistimos a um caso de 'bullying' político ao qual nunca tinha assistido em democracia representativa», resumiu a parlamentar socialista, reafirmando que a sua iniciativa anterior «foi um procedimento legislativo exemplar, consensualizado entre todos os grupos parlamentares, ouvindo 18 entidades, sendo que o deputado Hugo Soares esteve cinco meses na toca, aparentemente, inclusive no dia em que se marcou a data da votação final global».

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O líder da Juventude Social Democrata, juntamente com outros deputados do PSD propôs a realização de uma consulta popular sobre coadoção e adoção plena de crianças por casais do mesmo sexo depois do projeto de lei do PS ter sido aprovado na generalidade em 17 de maio.

O diploma permite que uma pessoa casada ou em união de facto com outra do mesmo sexo possa coadotar o filho adotivo ou biológico do parceiro, se não existir um segundo vínculo de filiação em relação ao menor.

«A três dias dessa data, (Hugo Soares) aparece com um projeto de referendo, tão em cima do joelho que até dizia que era para ser realizado no dia das eleições europeias, algo que não é possível», criticou a deputada do PS.

Isabel Moreira considerou tratar-se de «um triste dia para a democracia representativa, para o país, um dia em que foi aprovado, à frente de toda a gente, um insulto a pessoas concretas, famílias, a crianças que estão desprotegidas, à força da disciplina de voto».

A parlamentar socialista manifestou a certeza de que Portugal, mais tarde ou mais cedo, vai ver-se condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em virtude de não ter legislação que proteja crianças nesta situação.

O referendo foi aprovado com 103 votos favoráveis da bancada parlamentar, 92 votos contra e 26 abstenções, mas, entretanto, a vice-presidente do grupo parlamentar "laranja" Teresa Leal Coelho demitiu-se do cargo em desacordo.