Conferência Episcopal apela ao voto

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa apela aos católicos portugueses que tenham "uma participação ativa" nas próximas eleições.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apelou aos católicos portugueses para que tenham uma "participação ativa" nos próximos atos eleitorais, votando em projetos que conheçam bem.

O porta-voz Manuel Barbosa disse que o voto é "sempre livre e consciente" e que é esse apelo que deve sempre ser feito a todos os cidadãos, "para que participem neste ato [eleições legislativas, a 06 de outubro] tão importante na democracia em Portugal".

Na hora do voto, o padre Manuel Barbosa pede aos católicos que tenham em conta quatro princípios fundamentais do pensamento social católico: dignidade humana, bem comum, solidariedade e subsidiariedade, com base num texto publicado em abril, intitulado "Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da Doutrina Social da Igreja'.

"As pessoas são inteligentes e fazem o seu próprio discernimento", enfatizou.

No final do mês de agosto, a CEP divulgou um documento sobre a "ideologia do género," publicado em 2013, que questiona a sua difusão no ensino, bem como os vários documentos sobre a eutanásia, rejeitando a sua eventual legalização em Portugal.

Na reunião de hoje, em Fátima, o Conselho Permanente da CEP congratulou-se pela próxima canonização do beato Bartolomeu dos Mártires, "pelo que significa para a Igreja em Portugal, as dioceses onde esteve e para a Igreja universal".

A CEP saudou ainda a nomeação do novo núncio apostólico, Ivo Scapolo, "que virá em breve, certamente com a confiança do Papa Francisco e o aval da República Portuguesa".

"O Conselho confia no seu trabalho entre nós, na linha do que o Papa Francisco tem manifestado", disse o padre Manuel Barbosa.

O novo representante diplomático em Portugal exercia as mesmas funções no Chile desde 2011 e sucede agora no cargo em Lisboa a Rino Passigato, que renunciou por limite de idade.

A igreja católica chilena foi afetada nos últimos anos por uma crise provocada por casos de abusos sexuais que levaram à renúncia de vários bispos e à intervenção do Papa.

A visita do Papa Francisco ao Chile, em 2018, ficou envolta em polémica com indicações de que o pontífice foi mal informado pelo seu núncio apostólico, Ivo Scapolo, bem como pela hierarquia do episcopado católico chileno.

Algumas vítimas de abuso sexual no Chile queixaram-se da falta de apoio do núncio italiano, designado para trabalhar no país no verão de 2011.

Durante a sua viagem ao país, o Papa declarou-se convencido da inocência do bispo Juan Barros, suspeito de ocultar os atos pedófilos do padre Fernando Karadima, e pediu às alegadas vítimas provas da sua culpa.

Mais tarde pediu desculpa por estas declarações afirmando ter sido mal informado e enviou dois investigadores ao país para análise aprofundada do caso.

Depois de ler as conclusões de 2.300 páginas da investigação, que incluía 64 depoimentos recolhidos no Chile e nos Estados Unidos, o pontífice admitiu ter cometido "erros graves" de apreciação e falou de uma "falta de informação".

Um total de 158 casos de abuso sexual envolvendo 219 membros da Igreja estão a ser investigados no Chile. Das 241 vítimas identificadas, 123 eram menores na altura dos abusos.

Na sequência desta crise chilena o Papa decidiu realizar uma cimeira sobre proteção de crianças e abusos sexuais na Igreja, a 21 a 24 de fevereiro deste ano no Vaticano, convocando os presidentes de todas as conferências episcopais.

Em Portugal o cardeal patriarca de Lisboa criou em abril uma Comissão para a Proteção de Menores composta por especialistas nas áreas da psicologia, psiquiatria, justiça civil e canónica e comunicação social, coordenada pelo bispo Américo Aguiar.

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