"Costa mentiu" ou "Rio mentiu". PSD e PS sobem o tom das acusações

Quem manipulou as contas? Conhecido o relatório da UTAO sobre a recuperação das carreiras, o PSD volta a atirar-se a António Costa e os socialistas respondem na mesma moeda.

As acusações entre PSD e PS sobem de tom e repetem-se de parte a parte. "António Costa mentiu", atira David Justino. "Rui Rio mentiu", responde Carlos César.

No programa "Almoços Grátis" desta quarta-feira, o custo da recuperação integral do tempo de serviço dos professores e restantes carreiras especiais voltou a estar em cima da mesa.

Isto depois de a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) ter divulgado esta quarta-feira um relatório onde se afirma que a medida custaria 398 milhões de euros líquidos "em ano de velocidade de cruzeiro", menos de metade dos 800 milhões invocados pelo Governo - que sempre usou para as suas contas valores brutos.

A discrepância nas contas tem uma justificação, diz a UTAO: Não foram contabilizadas as receitas de IRS e as contribuições para a Segurança Social que o Estado receberia de volta durante o processo.

"Hoje posso dizer claramente que o primeiro-ministro mentiu", diz David Justino, acusando o Governo de "manipular as estatísticas para chegar aos números que quis".

"O PS quis provocar uma crise, chumbaram [a alteração ao diploma] de propósito para provocar a crise", condena.

O social-democrata diz mesmo que ainda há formas de reduzir o valor avançado pela UTAO. Além disso já tinha chegado a uma conclusão semelhante: "Há pouco mais de um ano fiz uma estimativa 'nas costas do envelope' e estimei um impacto à volta dos 400 milhões. E não tinha os dados do Governo."

Por sua vez, Carlos César afirma que "o primeiro-ministro não mentiu" e nega uma inflação dos números para dramatizar a crise política. Apesar da insistência de David Justino, vai continuar a falar de 800 milhões.

"Mentir, mentir, mentiu o Rui Rio, esse sim", atirou o socialista."Disse uma coisa e o seu contrário", enquanto "o PSD passou de campeão da austeridade para campeão da generosidade".

"Este processo foi uma baralhada sem nexo e uma demonstração de irresponsabilidade e de desvario eleitoralista que tomou conta do PSD e do CDS (...) A direita está nas ruas da amargura."

Para Carlos César, é inacreditável a posição do PSD: "a primeira versão é de um carro sem travões, a segunda é de um carro travado".

O socialista recusa também as críticas de aproveitamento político e fala de "uma posição de firmeza por parte do Governo".

Quem vai sofrer nas urnas as consequência desta crise política? David Justino diz não estar "preocupado com isso", até porque "é pura especulação dizer se vai ou não haver impacto eleitoral".

O programa desta semana terminou com risos. Carlos César enumerou as medidas que o Executivo socialista tomou em prol dos professores, David Justino irrompeu numa gargalhada.

Com Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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