Das namoradas à baixa de IRC. Rui Rio em versão "livro aberto"

Diz-se um "livro aberto" e pôs-se à disposição dos militantes da JSD para responder a 45 perguntas. Sem detalhar propostas eleitorais, deixou escapar que defende a redução do IRC.

Teve "três ou quatro namoradas sérias", gosta muito de uma lampreia à bordalesa e não esquece os binóculos que a mãe lhe ofereceu quando terminou o curso. Nenhuma das perguntas ficou sem resposta de Rui Rio que se dispôs a responder a 45 questões de militantes da Juventude Social-Democrata (JSD). Bem, quase nenhuma, porque as que pudessem resvalar para o programa eleitoral do PSD, essas ficam para mais tarde.

Sem papas na língua e bem-disposto, o presidente do PSD lá deixou escapar que concorda com a redução do IRC para taxas que o tornem competitivo "relativamente aos países concorrentes e capaz de cativar o investimento que é absolutamente vital para o modelo de crescimento que Portugal deve ter". "Baixar o IRC é importante, taxa de 10% não é comportável, hoje em dia, no orçamento português", respondeu o presidente do PSD a uma militante. Tudo o resto, fica para sexta-feira, data em que o partido vai apresentar medidas eleitorais relacionadas com finanças e impostos.

Entre as perguntas mais políticas, Rui Rio fez questão de voltar a insistir na contabilização dos votos em branco como forma de combate à abstenção. "Se um círculo tiver um máximo de 12 deputados e, se os votos brancos forem superiores a 5%, esse círculo só elege 11 deputados; se os brancos forem mais de 10%, só elege 9, e assim sucessivamente", sublinhou sintetizando que é preciso "dar importância aos votos brancos para que as pessoas não fiquem em casa" e diminua a abstenção.

Já sobre o interior do país, Rui Rio aposta numa discriminação positiva deixando adivinhar que também neste capítulo vão chegar novidades em breve. "Na próxima sexta-feira vou dar um toque sobre isso, na parte fiscal", notou defendendo que o país tem de ter "medidas que discriminem positivamente o interior". "Temos de nos preocupar com a criação de emprego porque não havendo emprego, não adianta", disse ainda.

Em termos internos, é defensor de um modelo de primárias abertas aos portugueses, mas espaçadas no tempo. "Se por um lado quem deve escolher são os militantes, por outro tenho consciência do enquistamento que o aparelho tem", sublinhou Rio para quem seria bom "arejar o aparelho" com primárias abertas já na próxima eleição para a direção do partido.

Rui Rio à esquerda?

Não, naturalmente que não é agora. Foi em 1986 e num contexto muito particular. Questionado se apoiou Mário Soares nas presidenciais desse ano por gostar muito dele ou "por não gostar nada de Freitas do Amaral", Rui Rio explica que "não era exatamente a favor de Mário Soares nem contra Freitas do Amaral". "A sociedade portuguesa vivia uma clivagem muito grande entre esquerda e direita e eu, naquela altura, preferia francamente o lado da esquerda moderada do que o da direita moderada", disse.

Num âmbito mais pessoal, mencionou ser um "livro aberto" quando instado a contar algo que nunca contou sobre si. Depois de uns segundos a pensar, entre gargalhadas, falou sobre o número de namoradas. "Nunca as contei", diz em jeito de piada para completar que foram "umas três ou quatro". Com risos da plateia, nomeadamente de Pedro Pinto e Maló Abreu, Rui Rio acrescentou: "a sério, a sério foram umas três ou quatro".

Já sobre o dia mais feliz da sua vida, nota que não foi o dia em que nasceu a filha, mas sim o dia em que acabou o curso. E a explicação é de que o dia em que nasceu a filha deu-lhe uma grande alegria mas também trouxe dúvidas: "será que ela vai mesmo ser feliz?". Por isso, escolheu o dia que lhe trouxe "um grande alívio": o dia em que saiu a última nota do curso.

Também dessa data, o presente que mais estima: uns binóculos oferecidos pela mãe. Não pelo objeto em si, mas pelo esforço que representou para a mãe conseguir oferecer-lhe esse presente.

Sem se lembrar de quaisquer arrependimentos na vida, sublinha que o maior guilty pleasure é o açúcar ("pequenos pecados mas sempre com coisas doces") e que refrigerantes estão cortados ("são o pior veneno que anda aí"). Para beber, água com pH acima de 7, "vinho do bom" e a seguir a cerveja. Já para comer, uma lampreia à bordalesa, mas não todos os dias.

E porque falta a banda sonora para toda esta história, viajamos até ao final dos anos 70. Desconhecida para a maioria dos presentes, Rui Rio colocou no telemóvel Stumblin' in de Suzi Quatro com Chris Norman. Música que, pelos vistos, o acompanha e que até pode servir de tema no dia em que conseguir cumprir o seu sonho (e que é igual ao de tantos portugueses pelo país fora): ganhar o euromilhões.

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