"Vitória da responsabilidade." Costa realça "resultado clarificador" que travou crise política

O primeiro-ministro falou aos portugueses para pôr fim ao ambiente de crise política da última semana. Costa deixou claro que o Governo nunca mentiu e que os custos políticos das decisões são menos relevantes do que os custos que haveria para o país.

António Costa acredita que foi conquistada uma vitória para o país, com a direita a alterar o sentido de voto em relação ao diploma dos professores. A declaração do primeiro-ministro aconteceu em São Bento, após o Parlamento ter chumbado em votação final global o diploma que pretendia contabilizar a totalidade do tempo de serviço dos professores.

É um "resultado clarificador" e uma "vitória da responsabilidade". Na opinião do primeiro-ministro, esta decisão permitirá, "com segurança", dar continuidade ao "percurso" que o Governo "tem vindo a fazer", nomeadamente a "recuperação de rendimentos, a recuperação de direitos e de aumento do investimento com contas certas".

"Quero manifestar à Assembleia da República o nosso reconhecimento por este resultado final", reforçou o chefe do Executivo, depois de PS, PSD e CDS-PP terem chumbado o diploma sobre os professores.

Assim, e após ter admitido demitir-se caso o diploma fosse aprovado, o chefe do Executivo esclareceu que é possível "dar continuidade ao percurso" que tem sido feito, principalmente por se ter evitado "uma crise financeira".

"Governo estava a falar verdade"

Questionado sobre a posição da direita durante a crise política, António Costa frisou que o "refúgio ao teatro era para fugir à realidade". "A realidade triste a que assistimos foi a realidade de, dando uma enorme cambalhota, aqueles que foram os campeões da austeridade terem querido ser os campeões da generosidade, fingindo que davam aos professores aquilo que efetivamente não davam", esclareceu, enaltecendo que o que se verificou ao longo da semana foi que "quando disseram que o Governo estava a mentir, afinal o Governo estava a falar verdade".

"O Governo não só não fez teatro como falou a verdade", reiterou o primeiro-ministro. O líder do Governo explica que foi dito aos portugueses e aos professores o que era ou não possível, independentemente dos custos. "Se isso tem custos, terá os custos políticos que tiver de ter, mas há um custo que não podia ter: o custo sobre a verdade, o custo financeiro e o custo sobre a nossa credibilidade internacional", concluiu.

As garantias aos professores e ao país

Durante a declaração ao país, António Costa deixou claro que, agora, "é garantido a todos os professores não só o descongelamento da carreira como a recuperação possível do tempo de serviço que esteve congelado".

"Esta recuperação faz-se de modo a respeitar o princípio da equidade dos outros corpos especiais, a garantir a estabilidade financeira do país e a nossa credibilidade internacional", assegurou o chefe do Executivo.

O Parlamento rejeitou, com votos contra das bancadas de PS, PSD e CDS-PP, o diploma da recuperação integral do tempo de serviço congelado aos professores. BE, PCP e PEV votaram a favor, enquanto André Silva, deputado único do PAN, absteve-se. Com o resultado desta votação permanece em vigor o decreto-lei do Governo que leva por diante a recuperação de apenas dois anos, quatro meses e 18 dias do tempo de serviço.

Antes da votação final global, no plenário, os deputados debateram e rejeitaram - com votos contra de PS, BE, PCP, PEV, e com abstenção do PAN - as avocações requeridas pelos grupos parlamentares de PSD e CDS-PP sobre as "cláusulas de salvaguarda financeira" que ambos os partidos exigiam para repor, de forma integral, o tempo de serviço que foi congelado aos professores.

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