"É preciso dar a cara." David Justino condena denúncias anónimas em casos de corrupção

Vice-presidente do PSD defende que é preciso "enquadrar o contexto" das denúncias, já que podem ter origem em "guerras políticas".

David Justino considera que é preciso mais responsabilidade individual e institucional no combate à corrupção.

"Acho que há corrupção em Portugal e tem de ser combatida (...), mas não é a denunciar através de cartas anónimas para o Ministério Público ou para a Polícia Judiciária", considera o vice-presidente do PSD no programa da TSF Almoços Grátis.

"É preciso dar a cara por isso, mas a maioria das pessoas não tem coragem de dar a cara."

David Justino alerta para os riscos das denúncias anónimas, até porque algumas podem ter origem em "guerras política e conflitos de interesses". Defende, por isso, que é preciso "enquadrar o contexto da denúncia".

Também as fugas de informação que levam a julgamento na praça pública são condenáveis, considera.

"Pessoas honestas e de integridade e competência vão para a vida publica e sujeitam-se a este tipo de ações", lamenta David Justino, contando que também ele já sofreu na pele e durante vários anos as consequências de uma acusação sem fundamento.

Sim, diz, "toda a gente quer combater a corrupção - é a ferrugem da democracia - mas cuidado com os fundamentalismos".

Carlos César concorda que a corrupção é "um dos vírus mais fragilizadores da democracia", mas considera que "Portugal está no bom caminho".

O socialista destaca uma série de medidas tomadas pelo Governo nesse sentido, nos últimos anos, como a nova legislação de combate à corrupção no desporto; a admissão de novos inspetores da Polícia judiciária; o acesso a contas bancárias na investigação criminal sem depender da decisão do juiz. E saúda ainda a adoção de mecanismos do reforço dos poderes de oposição, como os debates quinzenais e as comissões parlamentares de inquérito.

Sim, existe corrupção em Portugal, admite o presidente da bancada parlamentar do PS, mas "quando se ouve a ex-Procuradora a falar de redes de compadrio e corrupção dá a ideia que não estamos a viver no mesmo país", condena.

Numa entrevista à Rádio Renascença, divulgada no fim de semana passado, a ex-Procuradora-Geral da República Joana Marques Vidal afirmou existirem redes de compadrio e corrupção nas áreas da contratação pública - "basta olhar para os processos que têm vindo a lume", afirmou.

Atitude digna de crítica foi também a do Presidente da República, consideram tanto Carlos César como David Justino.

Marcelo Rebelo de Sousa telefonou no final do mês à Procuradora-geral da República, Lucília Gago, para lhe transmitir o seu apoio ao combate à corrupção como prioridade nacional e à autonomia do Ministério Público em todas as circunstâncias, numa altura em que o Estatuto do Ministério Público está a ser discutido no Parlamento.

"Porque é que o senhor Presidente da República faz um telefonema que torna público (...) O sinal percebe-se e até o posso subscrever, mas porquê assim?", questiona David Justino.

"O senhor Presidente da República escolhe a forma que entende mais adequada para transmitir as suas mensagens", ressalva Carlos César. "A substância é bem acolhida", mas "a oportunidade é discutível e o modo também".

Com Nuno Domingues

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de