Portugal

Economista João Ferreira do Amaral defende saída de Portugal do euro

O economista João Ferreira do Amaral considera que Portugal deveria negociar a saída do euro, adivinhando tempos ainda mais difíceis com o próximo Orçamento do Estado.

No Congresso Democrático das Alternativas arrancam por esta hora os trabalhos da tarde. Durante as sessões da manhã foi muito concorrido o debate sobre a denúncia do memorando da "troika".

No Congresso Democrático das Alternativas , o economista João Ferreira do Amaral foi uma das muitas vozes a defender a saída de Portugal do euro, adivinhando tempos ainda mais difíceis com o próximo Orçamento do Estado.

«Este Orçamento, que ainda não conhecemos, pelo que foi anunciado vai significar uma quebra adicional muito drástica da procura interna, isso vai impedir o Estado de cumprir os seus objetivos orçamentais para o próximo ano, vai impor nova austeridade, o desemprego vai aumentar para muito mais dos 16,4 por cento que o Governo anuncia e a recessão vai ser muito mais profunda», afirmou o professor catedrático do ISEG.

Ferreira do Amaral falava durante o primeiro painel temático do Congresso das Alternativas, "Desafios da denúncia do memorando da 'troika'".

«O próximo ano vai ser um ano de ruturas importantes a nível económico e social», resumiu.

O economista considerou que Portugal segue «um caminho sem futuro do ponto de vista económico, social, e de retrocesso que pode ter consequências ainda mais graves» e insistiu na sua posição de que «não é possível denunciar o acordo da 'troika' numa situação de manutenção no euro».

Esta saída do euro, defendeu, deve «ser feita de forma adequada» e «em negociação com as instituições europeias», onde Portugal pode encontrar alguns «bons apoios» para esta solução, afirmou João Ferreira do Amaral.

Para o economista, o problema fundamental vem desde 1992, quando no Tratado de Maastricht, o Estado se colocou «ele próprio nas mãos dos mercados financeiros», ao permitir que o Banco Central Europeu deixasse "de poder financiar os estados-membros".

«A meu ver este foi um retrocesso civilizacional tremendo», disse.

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