Encontrar culpados é "um vício tramado", há que aprender com os erros

No programa Almoços Grátis, David Justino valoriza o trabalho da comissão parlamentar de inquérito à CGD, mas diz que o trabalho não pode ficar por aí.

Perante um grande problema, como o caso dos créditos ruinosos da Caixa Geral de Depósitos, os portugueses têm "um vício tramado", considera David Justino.

Diz o vice-presidente do PSD que "quando passamos por uma situação muito complicada, quase traumática - como foi o caso de todo este processo, a nossa principal preocupação é encontrar culpados".

É isso que deputados estão a fazer na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD, "mas isso não resolve o problema de base".

No programa da TSF Almoços Grátis, David Justino não desvaloriza que seja necessário apurar responsabilidades, até porque o social-democrata acredita que "há culpados", mas o trabalho não pode ficar por aí.

"Geralmente arranjamos um culpado, fazemos um auto-de-fé na praça pública e vamos dormir para casa descansados. No dia seguinte o problema está exatamente na mesma."

"Andamos muito focados em apurar responsabilidades (...) e pouco preocupados em aprender com o que aconteceu para que não volte a acontecer", considera.

Para Carlos César, "nenhum português pôde ficar descansado com a supervisão do Banco de Portugal neste caso, como ao longo de muitos casos ao longo de vários anos", mas "não está tudo na mesma".

"Quantos problemas foram atirados para cima da mesa do Governo (...) que estão todos eles praticamente resolvidos ou bem encaminhados", defende. "Hoje não só há uma legislação melhorada, como uma atenção redobrada nestes casos" e o país conseguiu "recuperar o sentido de responsabilidade".

Uma coisa é certa: "não se pode branquear a responsabilidade dos incumpridores e a dos gestores que tiveram negligências no mínimo grosseiras na concessão desses créditos."

Até porque, no caso da Caixa, diz o socialista, "a sensação que todos retemos deste processo é que não estivemos devidamente protegidos quer pelas instituições de supervisão, quer pelos gestores que tinham responsabilidades elevadas."

É preciso "regulação a sério", defende David Justino, e definir quais são os limites da supervisão financeira. Até porque "o risco de voltar a acontecer aquilo que aconteceu no período da crise mantém-se", alerta.

*Com Nuno Domingues

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