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«Está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice», diz Sócrates

José Sócrates disse, esta quarta-feira, que ainda está para nascer «um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice». O socialista defendeu também que este é o momento para os partidos apresentarem as suas propostas e não para apostarem na maledicência.

«Digam o que disserem, mas ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice», afirmou o Chefe do Governo, numa resposta à líder do PSD, Ferreira Leite, para quem as contas públicas estão «absolutamente descontroladas».

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José Sócrates, que falava à margem de um encontro restrito com 15 empresários, acrescentou que, entre os bancos que compram as dívidas dos Estados, Portugal tem menos juros de risco do que países como Espanha, Irlanda, Grécia ou Inglaterra, porque as contas públicas portuguesas, quer a dívida quer o défice, estão em melhor situação do que nesses países.

Depois do socialista Augusto Santos Silva ter acusado a direita de querer passar um cheque em branco aos portugueses, ao não apresentar propostas para as legislativas, Sócrates retomou o tom, num jantar com cerca de 150 empresários, defendendo que «este é o momento para todas as lideranças» apresentarem «aquilo que o pais pode e deve fazer».

Para o secretário-geral do PS, «este não é o momento para as lideranças se entregarem à maledicência nem a explicarem aos portugueses aquilo que não podem fazer».

Sócrates defendeu que esta é a hora de dar prioridade à acção, de ter a mente aberta e de apresentar soluções, porque pior que tomar uma má decisão é não decidir nada.

«Acredito que Portugal tem o dever estratégico de não adiar nenhuma decisão que o coloque mais na periferia do que está», disse, defendendo que é altura de fazer todos os investimentos para melhorar as condições logísticas e de transportes do país.

Em resposta a críticas de Ferreira Leite e de Cavaco Silva, Sócrates mostrou-se assim em defesa do investimento público, em prol de um «país moderno».

Para quem considera que «em Portugal se tomam decisões muito precipitadas relativamente a investimentos estratégicos», Sócrates lembrou que o país está há 40 anos para construir um aeroporto.

Numa mensagem aos empresários, o socialista apelou a uma concertação para que Portugal defenda, a uma só voz, uma nova estratégia para a economia portuguesa.