"Não tivemos grandes provas de interferência estrangeira nas nossas eleições"

Ministro da Defesa, João Gomes Cravinho reconhece que Portugal está vulnerável à propagação de fake news por meio de bots.

O ministro da Defesa relativizou hoje, em Washington, o problema de eventuais interferências estrangeiras com "fake news" em Portugal, afirmou não haver "grandes provas" de que tenha acontecido, embora reconheça que o país também está vulnerável.

João Gomes Cravinho foi questionado sobre o assunto durante uma conferência, em Washington, organizada pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, sigla em inglês) e respondeu: "Não tivemos grandes provas de interferência estrangeira nas nossas eleições."

"Até agora", acrescentou, Portugal não teve de enfrentar "a propagação de 'fake news' [informação manipulada] por 'bots' [robôs], que têm sido fator de perturbação noutros países".

No entanto, reconheceu, os instrumentos existem, o país está vulnerável, como qualquer outro, e afirmou-se "preocupado com a integridade das democracias no mundo".

E acrescentou: "Sentimos que o problema existe, mas não é uma questão em Portugal."

João Gomes Cravinho descreveu os esforços feitos ao nível da União Europeia, através da produção de códigos de conduta, e da tentativa de responsabilização das plataformas eletrónicas, destacando ainda a importância dos grupos de cidadãos e de organizações não-governamentais que detetam informação manipulada.

Em tom de brincadeira, que motivou risos na plateia, afirmou que de 'fake news' em Portugal podem ter existido aquelas que são usadas por políticos "em circunstâncias eleitorais".

O ministro João Gomes Cravinho está hoje em Washington onde, depois desta conferência, transmitida em direto através do 'site' do CSIS, tem agendado um encontro às 14:00 locais (19:00 em Lisboa) com o secretário de Estado da Defesa dos Estados Unidos, Patrick Shanahan, no Pentágono.

As medidas tomadas pela União Europeia contribuíram para "limitar o impacto das operações de desinformação, nomeadamente por parte de agentes externos" nas eleições europeias, que ainda assim não estiveram "totalmente imunes" à ação de "forças russas", avaliou hoje Bruxelas.

Apresentado hoje em Bruxelas, o relatório que compila os principais ensinamentos retirados das eleições europeias sustenta que, embora seja demasiado cedo para tirar conclusões definitivas sobre o nível e o impacto da desinformação no escrutínio, é "evidente que as medidas tomadas pela UE - juntamente com numerosos jornalistas, verificadores de factos, plataformas, autoridades nacionais, investigadores e sociedade civil - contribuíram para impedir ataques e expor tentativas de interferência nos processos democráticos", nomeadamente de agentes russos.

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