Política

Francisco Louçã despede-se da liderança do Bloco de Esquerda

O coordenador do Bloco anunciou, a noite passada, que não se recandidatará, sustentando que «é tempo de uma renovação» do partido, com uma direção liderada por um homem e uma mulher.

Numa «carta aos ativistas e ao povo do Bloco», publicada na sua página do Facebook, Francisco Louçã diz que é digno saber e decidir quando se deve dar o lugar aos outros, acrescentando que depois de 13 anos em que tudo deu ao Bloco sente que o partido vai ficar mais forte com a renovação.

Na hora da saída deixa apenas uma ideia original de Miguel Portas, que a nova representação do Bloco seja feita por um homem e uma mulher.Louçã acredita que este modelo inovador é o caminho normal da esquerda e vai tornar a direção e o movimento mais fortes.

O ainda dirigente do Bloco de Esquerda recorda, nesta carta, algumas vitórias alcançadas nestes últimos anos como o princípio da abertura do sigilo bancário e outras medidas contra a corrupção e a evasão fiscal, a despenalização do aborto, o casamento homossexual ou a proteção das mulheres vítimas de violência doméstica.

Francisco Louçã deixa ainda críticas à troika que acusa de não querer saber de quem sofre e de quem perde o emprego e defende que a Grécia mostrou porque é necessário ter um governo de esquerda.

Louçã garante ainda, nestas palavras que não são de despedida, que não vai faltar a nenhuma luta do Bloco de Esquerda.

A sucessão na liderança do partido parece apontar para uma solução que passe por João Semedo e Catarina Martins. A noite passada, a TSF falou com os dois deputados mas nenhum quis prestar declarações.