Gaspar sai, Maria Luís Albuquerque nas Finanças

Vítor Gaspar já não vai preparar o Orçamento do Estado para 2014. Ao fim de pouco mais de dois anos de governo, o ministro das finanças pediu a demissão, o primeiro-ministro aceitou. Maria Luís Albuquerque é a nova ministra das Finanças.

É oficial, uma nota da Presidência da República revela que Vítor Gaspar está de saída do governo. Maria Luís Albuquerque, atual Secretária de Estado do Tesouro é a nova ministra das finanças.

Paulo Macedo, atual ministro da Saúde e desde sempre um dos nomes mais falados para substituir Vítor Gaspar, chegou a ser apontado por diversas fontes como o novo ministro das finanças, mas tal não foi confirmado.

Ao que a TSF conseguiu apurar, há mais de um mês que a equipa de Vítor Gaspar estava a preparar a passagem de pastas e nas últimas semanas terão existido diversas conversas entre Gaspar e Passos, para afinar o tempo certo para o anúncio. A demissão chegou a estar preparada para a semana passada, mas a instabilidade nos mercados, provocada pelas declarações do presidente da Reserva Federal dos EUA, levou a um adiamento. No sábado, Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar tiveram um último encontro. Foi aí que a remodelação ficou «marcada» para esta segunda-feira.

A menos de 15 dias do arranque da 8ª avaliação, que na prática marca o início da elaboração do Orçamento do Estado para o próximo ano - o mais exigente deste governo, com o grosso dos cortes de 4,7 mil milhões de euros na despesa do estado -, Vítor Gaspar sai do executivo, e cede lugar a Maria Luís Albuquerque.

Vítor Gaspar sai depois de ter fechado o dossier da extensão das maturidades dos empréstimos europeus a Portugal, um processo que ficou formalmente encerrado na reunião do Ecofin, no final da semana passada. Para os críticos, será um dos poucos trunfos de um ministro das finanças que viu dois orçamentos do estado chumbados pelo Tribunal Constitucional, falhou de forma sistemática nas previsões, em 2012 apresentou dois retificativos, e este ano já passou pelo mesmo processo.

Nos últimos meses, têm sido cada vez mais insistentes as divergências entre os partidos da maioria, sobretudo o CDS, e Vítor Gaspar. As relações entre Gaspar e Portas, por exemplo, nunca foram particularmente boas, mas depois do caso da «TSU dos pensionistas» o relacionamento entre os dois ministros de estado ficou estragado em definitivo.

Com a aproximação das autárquicas, o ambiente de competição eleitoral levou algumas vozes do PSD a juntarem-se ao CDS nas críticas a Vítor Gaspar, exigindo ao ministro das Finanças uma mudança de rumo, e um aliviar da pressão fiscal; no fundo, um novo caminho, com menos austeridade. Uma fonte do Executivo afirmou à TSF que o ministro não estava disponível para servir como uma espécie de bode expiatório até às eleições de 29 de Setembro.

Vítor Gaspar chega a meio do ano isolado, com cada vez menos apoio no conselho de ministros, e sai, garante a mesma fonte, porque considera não ter condições para elaborar o Orçamento do Estado para 2013.

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