Governo tem "condições para fazer melhor" a nível orçamental

Lobo Xavier lembra que os resultados do trimestre já estavam previstos, Pacheco Pereira destaca a eficácia do PS a fazer política de direita e Jorge Coelho destaca o sucesso das políticas a nível internacional.

O excedente orçamental de 0,4% do PIB no primeiro trimestre do ano foi o tema central de mais um debate na Circulatura do Quadrado, com Lobo Xavier, Jorge Coelho e Pacheco Pereira.

Lobo Xavier recusa entrar em celebrações quanto aos resultados económicos obtidos pelo Governo, que diz ter "condições para fazer melhor". O centrista lembra que este é um trimestre que já estava previsto e que todas as melhorias são "imputadas a cativações na área das Infraestruturas e da Defesa mas, sobretudo, ao aumento da receita fiscal".

Para obter estes resultados, defende Lobo Xavier, Mário Centeno "esticou prazos, adiou a entrada em vigor de aumentos, exigiu estudos e empurrou as coisas que o Governo dá - aparentemente com generosidade - para o fim do ano e o próprio decreto de execução orçamental aparece tarde". Assim, a contenção do défice está "muito ligada ao subfinanciamento dos serviços públicos essenciais".

Jorge Coelho destaca, por outro lado, o sucesso no cumprimento dos compromissos assumidos por Portugal para com as instâncias internacionais. Nesse âmbito, destaca a "reversão de um conjunto vastíssimo de medidas, aumentado as políticas sociais e diminuindo o fenómeno da pobreza em Portugal como não acontecia há larguíssimos anos".

Sem refutar a existência de problemas, o antigo ministro fala de uma campanha em marcha para "fazer com que passe a ideia global de que o Serviço Nacional de Saúde está espatifado e que tem objetivos vários e vindos de várias dimensões".

Pacheco Pereira encontra na eficácia do Governo a origem da crise da direita: "O governo do Partido Socialista está a fazer com grande eficácia a mesma política da direita, que já vinha do tempo de Passos Coelho, dominada pelo tratado orçamental, pela obsessão do défice e que é muito pouco adequada às circunstâncias do crescimento português. Não permite nenhuma reforma estrutural na economia, o preço a prazo é enorme", recorda. O social-democrata lembra a discussão sobre as consequências do "Governo Passos Coelho-Portas-Troika" que estão agora "à vista".

Acerca da reforma do Estado, Pacheco Pereira lembra que é preciso dinheiro para "fazer coisas que custam caro" e que o "défice zero e a vanglória do ministro Centeno" nada garantem para o futuro. "É um número que pode deixar muita gente feliz mas é o retrato de que vamos viver numa mediania mais ou menos medíocre por muitos anos enquanto a política não mudar."

Sobre a especificidade das restrições impostas pela Troika, Lobo Xavier reconhece que ainda podem ter produzido "efeitos" durante esta legislatura, mas relembra a "opção deliberada para o equilíbrio das contas públicas, que foi foi a redução do investimento" e que coloca Portugal numa posição pior do que aquela em que estava durante a crise no caso de uma nova crise internacional ou até apenas na União Europeia.

Partindo do exemplo dos comboios avariados na linha de Sintra que têm levado a uma diminuição da "qualidade do serviço", Jorge Coelho não põe em causa que tal é "inadmissível". No entanto, assinala a "recuperação" sentida em muitos dos setores da economia e que, embora não seja suficiente, mostra que o país está a seguir o caminho certo.

Pacheco Pereira critica a "obsessão" com os funcionários públicos: "Se é preciso dizer que alguma coisa está errada, vai-se para os funcionários públicos. E quem diz funcionários públicos diz também professores, polícias, forças de segurança e funcionários de repartições". Ao invés, o antigo deputado gostaria de ver discutido o patronato português, "um dos mais impreparados da Europa".

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