Medidas do PS para a saúde são "positivas" e "concretizáveis", mas têm limitações

Alexandre Lourenço, representante dos administradores hospitalares, acredita que a falta de recursos humanos no SNS pode dificultar a implementação generalizada de algumas medidas eleitorais do PS para a área da saúde.

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares acredita que as medidas do programa eleitoral do PS para a área da saúde são "positivas" e "concretizáveis", ainda que "com limitações", devido à falta de recursos humanos.

Em entrevista à TSF, Alexandre Lourenço considera a ideia de alargar as consultas nos hospitais públicos ao sábado é positiva, mas não acredita que seja possível implementá-la em todo o país: "Existem limitações de recursos humanos que vão inibir a possibilidade de generalizar este tipo de consultas."

Quanto à disponibilidade dos médicos para realizarem estas consultas ao sábado, Alexandre Lourenço acredita que essa questão tem de ser abordada junto dos profissionais e que implica alterações nos modelos de remuneração, lembrando que "a capacidade atualmente do SNS de reter os seus melhores profissionais é limitada".

"Têm de existir alterações na forma de relacionamento laboral e temos de iniciar uma discussão que vá alterar este modelo baseado em tempo, baseado em salário, por outro tipo de modelos remuneratórios mais avançados, porventura, baseados no seu desempenho", adiantou.

Para além do alargamento dos horários das consultas, o PS prevê outras medidas como a gratuitidade dos óculos de sol para menores de 18 anos e para pessoas maiores de 65 anos que recebam Rendimento Social de Inserção e a existência de serviços de ginecologia e pediatria nos centros de saúde.

Para o administrador hospitalar estas medidas já vêm tarde, apesar de serem exequíveis: "É concretizável. Muitas medidas pecam por tardias. Não é explicável porque é que elas ainda não estão implementadas na generalidade do Serviço Nacional de Saúde".

Ainda assim, Alexandre Lourenço lança um alerta: "Faltam aqui peças que são instrumentais para a implementação destas medidas. Isso passa por ter uma nova política de gestão orçamental do Serviço Nacional de Saúde, mais autonomia de gestão das organizações e uma abordagem mais profissionalizada do SNS."

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