"Se é uma farsa, um teatro, uma mentira, porquê mudar de posição?"

Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, esteve na TSF e respondeu às últimas palavras do PSD e do CDS, que admitiram um recuo, após terem votado a favor da recuperação integral do tempo de serviço dos professores.

Mariana Vieira da Silva considera "inaceitável" o comportamento do PSD e do CDS-PP que, após se terem juntado ao PCP e Bloco de Esquerda para votar a favor da contagem integral do tempo de serviço dos professores, admitem agora alterar a sua posição quando a proposta for para aprovação em plenário.

Depois de o primeiro-ministro ter anunciado ao país que o Governo se irá demitir caso a proposta que prevê a recuperação do tempo integral de serviço na carreira dos professores - tal como foi aprovada em comissão, por todos os partidos à exceção do PS - seja aprovada na votação final em plenário, a direita respondeu com um recuo.

Este domingo, a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, admitiu que não votará a favor da proposta em plenário, caso o texto final contemple o pagamento imediato dos valores devidos aos docentes.

o presidente do PSD, Rui Rio, desafiou o PS a aprovar em plenário a proposta dos sociais-democratas - que terá um travão financeiro -, e garantiu que, se esta não for para a frente, ficará inscrita no seu programa de Governo.

Em entrevista à TSF, a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa questiona o facto de a direita admitir agora votar contra a proposta, depois de ter acusado o Governo e o primeiro-ministro de protagonizarem "uma farsa".

"Se [a posição do Governo] é uma farsa, um teatro, uma mentira, porquê mudar de posição?", atirou Mariana Vieira da Silva.

A ministra considera que, ao mudar o sentido de voto, PSD e CDS estão a reconhecer "total razão ao discurso do primeiro-ministro".

Revelando que o PS irá manter o voto contra a proposta em plenário, a ministra da Presidência coloca a solução para o problema "nas mãos do PSD e do CDS".

"Arrependeram-se do que aprovaram, têm uma solução muito simples: votar contra", declarou na TSF.

Já na última noite, o primeiro-ministro António Costa desafiou o PSD e o CDS a corrigirem o voto. "Votaram sem saber o que estavam a votar, têm uma solução muito simples: quando a votação chegar ao plenário, votem contra e emendem o erro que cometeram, votando o que não sabiam no que estavam a votar", disse o primeiro-ministro. "Não viabilizem uma proposta que coloca em causa as nossas finanças públicas e a nossa credibilidade internacional", pediu.

Mariana Vieira da Silva considera que o Governo não deve prometer aos professores algo que considera ser impossível de realizar - como acusa a direita de estar a fazer -, frisando que os custos orçamentais de tal medida seriam "insustentáveis".

"Não podemos dar passos maiores do que a perna, porque depois poderíamos ter de recuar, e isso não queremos mesmo fazer", afirmou.

Confrontada com as acusações da oposição de que o Governo já criou expectativas aos docentes que agora está a frustrar, a ministra recusou a crítica e insistiu que o único compromisso assumido pelo PS fora o descongelamento das carreiras: "pôr a contar um relógio que estava parado" - nada mais que isso.

O início da guerra entre professores e Governo remonta a 2017 e à aprovação do Orçamento do Estado de 2018. Desde aí, a Fenprof tem reclamado a reposição dos nove anos, quatro meses e dois dias em que os docentes viram as suas carreiras congeladas. Recorde aqui os pontos-chave desta discussão.

O diploma de recuperação foi aprovado a 7 de março e promulgado pelo Presidente da República a 11 de março. A contabilização total do tempo de serviço dos docentes foi aprovada, na última semana, em Parlamento, por PSD, CDS-PP, PCP e BE, contando apenas com o voto contra do PS.

*com Anselmo Crespo e Ana Cristina Henriques

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