Costa não tolera "qualquer forma de corrupção" mas não faz julgamento de Sócrates

António Costa regressou ao programa Circulatura do Quadrado para dizer nunca teve "sinal de suspeita" sobre Sócrates. Sobre as eleições legislativas, em outubro: "Não vou dizer: «votem nos outros, que eu não quero maioria»".

Foi o assunto que deixou António Costa com o ar mais sério, durante o regresso à Circulatura do Quadrado. Pacheco Pereira criticou o facto de os partidos como o PS estarem pouco sensibilizados para o combate à corrupção e citou o caso de José Sócrates.

António Costa recusou fazer "um julgamento popular " de José Sócrates, mas sublinhou que o PS, sob sua liderança, "tem uma posição clara do que é a política e o que é a justiça".

"Nos anos em que fui ministro do Eng. Sócrates, nunca tive sinal que me levantasse a menor suspeita sobre o seu comportamento; nem depois disso, tive qualquer suspeita, até ao momento em que começou a haver as notícias que nós conhecemos sobre esta matéria."

Costa diz que "sobre isso" não fala porque entende "que deve ser a justiça a falar" e "quanto mais depressa, melhor para todos".

"Espero que fale depressa, seja para bem dele, seja para bem da democracia, porque esta situação é seguramente destrutiva para ele, mas também destrutiva e corrosiva para a democracia", acrescentou.

António Costa manifestou-se muito enfático na crítica à corrupção: "Não tolero, em caso algum, qualquer forma de corrupção. Acho que é degradante para a democracia e a corrupção tem de ser exterminada."

"Não consigo conviver com quem tenha praticado atos de corrupção", vincou o primeiro-ministro.

"Acho que é absolutamente essencial traçar uma fronteira clara entre a política e a justiça. É perigosíssimo quando a justiça quer fazer política ou quando a política se quer substituir à justiça. O PS sofreu, de facto, uma situação muito traumática, que eu espero que nenhum partido venha a sofrer, de ver acusações graves sobre o líder - que era, aliás, muito apreciado, com quem muitos de nós tinham relações de amizade. Eu tinha", admitiu Costa, para quem "o Partido Socialista teve muita maturidade para fazer aquilo que devia fazer": separar política e justiça.

"Tenho a certeza de que no PS as pessoas não conheciam os factos que têm vindo a público. Agora, eu não entro na lógica de me antecipar à justiça". Costa invocou a "presunção de inocência" para "não fazer o julgamento popular do Eng. José Sócrates".

"Se alguma vez tiver suspeitas de uma situação de corrupção no PS ou fora dele, faço o que tenho que fazer e reporto às autoridades".

Adiante no programa da TVI e da TSF, Costa iria mais longe: admitiu que "tinha simpatia" por José Sócrates e que "nunca" teve o "menor sinal de suspeita".

Maioria em Outubro: "Não vou dizer que não quero."

"Se me pergunta se quero o reforço na posição do PS, é claro que sim", disse o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, questionado por Carlos Andrade, na Circulatura do Quadrado.

"É evidente que quanto mais força tiver o PS, melhores são as condições de governação. Não me vai pedir que diga: «não votem no PS»", disse António Costa. "Eu peço o voto no PS, agora as pessoas votam ou não votam, em função da avaliação, em função do meu trabalho e do que me proponho fazer na próxima legislatura."

Lei de Bases da Saúde

"A proposta de Lei de Bases da Saúde que está, neste momento, em vias - que espero finais - de aprovação na Assembleia da República, aponta como mecanismo geral a ideia da criação de mecanismos de exclusividade", lembra António Costa.

O primeiro-ministro garante que está a ser procurada uma medida para que sejam asseguradas "melhores condições remuneratórias, que permitam uma melhor dedicação ao Serviço Nacional de Saúde".

Programa fiscal a 20 de julho

O primeiro-ministro garante que quer "continuar" a reduzir impostos, mas lembra que só a 20 de julho, quando for apresentado o programa fiscal do PS, serão conhecidas as "medidas completas". Assim, Costa lembra que não se pode falar de redução de impostos sem saber que compromissos se assume "em matéria de aumentos da despesa", da mesma forma que "não se pode prometer simultaneamente sol na eira e chuva no nabal".

"Quando se promete que se reduz uma receita, alguém tem de explicar qual é a receita ou o corte na despesa que a compensa", conclui.

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